Falta de transparência dita exoneração do Conselho de Administração do Fundo Soberano de Angola

12 January 2018

A falta de transparência nos processos de contratação dos gestores de activos e prestadores de serviços do Fundo Soberano de Angola ditou a necessidade de proceder a uma reestruturação, em que um dos passos foi a substituição dos membros do Conselho de Administração, informou o Ministério das Finanças em comunicado quinta-feira divulgado em Luanda.

A avaliação rigorosa sobre a gestão, aplicação dos activos e estrutura empresarial, realizada com o apoio de uma empresa internacional de consultoria, permitiu concluir ainda a existência de um risco elevado resultante da exposição causada pelo valor dos activos que se encontram sob gestão de apenas uma entidade externa bem como um a ocorrência de um reporte insuficiente.

“Constatou-se igualmente um fraco controlo e supervisão das actividades do Fundo Soberano de Angola pelas entidades governamentais, bem como a ausência de políticas, estratégias e planos de investimentos consistentes e transparentes”, pode ler-se no comunicado, que acrescenta “ser necessário rever o modelo de governação empresarial.”

O ministério adiantou estar o governo a aplicar acções de reestruturação do Fundo “com vista à criação de uma estratégia e plano de investimentos adequado, por forma a assegurar maior transparência e controlo da instituição, melhorando a supervisão dos órgãos do Estado, nomeadamente, do Presidente da República, do Ministério das Finanças, Banco Nacional de Angola.”

O Ministério das Finanças anunciou ainda ir constituir uma Comissão de Supervisão do Fundo Soberano de Angola, a fim de garantir uma gestão mais eficiente e transparente dos recursos estratégicos do Estado.

O chefe de Estado, João Lourenço, exonerou quarta-feira os membros do Conselho de Administração do Fundo Soberano de Angola, até então presidido por José Filomeno de Sousa dos Santos, tendo nomeado para a presidência Carlos Alberto Lopes, ex-ministro das Finanças. (Macauhub)

MACAUHUB FRENCH