Dívida pública de Cabo Verde regista redução pela primeira vez em 10 anos

29 January 2018

A dívida pública de Cabo Verde deverá ter-se reduzido para 126,5% do Produto Interno Bruto em 2017, variação que assinala a primeira vez nos últimos 10 anos em que se verifica uma redução, de acordo com a delegação do Fundo Monetário Internacional que concluiu recentemente a missão de consulta de 2018 ao abrigo do Artigo IV da instituição.

A delegação que se deslocou a Cabo Verde de 15 a 26 de Janeiro informou em comunicado sexta-feira divulgado em Washington estimar-se que o défice orçamental cabo-verdiano em 2017 tenha caído para 3,0% do Produto Interno Bruto, sendo a meta de um défice de 3,1% inscrita no Orçamento de Estado para 2018 “viável”, “embora exija esforços no sentido de reforçar a direcção de administração fiscal e aduaneira e garantir que a alienação de activos públicos que se atrasou no ano passado se concretize em 2018.”

“A recuperação económica está a ganhar impulso, o que reflecte um ambiente externo mais favorável e os resultados positivos das reformas económicas em curso. Em 2017, estima-se que a economia tenha crescido 4,0%, sustentada no aumento de dois dígitos da entrada de turistas, na recuperação do crédito ao sector privado e na maior confiança do consumidor e do sector dos negócios, factores que se espera condizam a uma aceleração do crescimento para 4,3% em 2018”, pode ler-se no documento.

A missão chefiada por Max Alier adianta que a médio prazo o crescimento real do PIB deverá estabilizar-se à volta de 4,0%, “apoiado na maior confiança dos investidores na sequência da execução do programa de reforma proposto pelo governo.”

O FMI recomendou que o governo aumente os esforços no que se refere à consolidação orçamental e à aceleração da reestruturação do Sector Empresarial do Estado, fazendo com que as empresas públicas deixem de ter necessidade de ajudas estatais, em particular as empresas de transporte aéreo (TACV), habitação (IFH) e energia (Electra), “algo que permitiria o maior crescimento do crédito ao sector privado, a aceleração do crescimento de médio prazo, a colocação da dívida numa trajectória descendente e a redução do risco de pressão da dívida externa.” (Macauhub)

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