Evolução mundial do preço do petróleo continuará a influenciar economia de Angola

28 February 2018

A evolução mundial do sector dos hidrocarbonetos vai continuar a influenciar o comportamento da economia de Angola, atendendo aos esforços limitados na diversificação do tecido económico do país, afirma a Economist Intelligence Unit (EIU) no seu mais recente relatório sobre o país africano.

Em consequência, prossegue o relatório, a taxa de crescimento económico deverá situar-se numa média de 2,4% no período de 2018 a 2022, que compara com a taxa de 4,7% registada no período entre 2011 e 2015.

A EIU prevê que a taxa de crescimento da economia angolana se contraia este ano para 1,6%, face à estimativa de 2,7% para 2017, subindo em 2019 para 2,3%, crescendo nos anos seguintes a uma média anual de 0,2 pontos percentuais até atingir 3,0% em 2022.

Os analistas da EIU escrevem também que as pressões no sentido da realização de despesa pública permanecem elevadas, pelo que prevêem um défice orçamental médio de 7,0% no período contemplado, se bem que se deva reduzir na parte final devido ao previsto aumento dos preços do petróleo nos mercados internacionais.

A EIU prevê que o preço do barril de petróleo aumente ligeiramente para 60,4 dólares, cerca de 11% a mais do que em 2017, mas ainda assim insuficiente para que Angola consiga ter um orçamento de Estado equilibrado, isto é, sem défice.

O défice vai ser coberto com a emissão de dívida, tanto interna como externa, recordando o documento ter um decreto presidencial de Agosto de 2017 autorizado o ministro das Finanças a proceder a uma emissão de euro-obrigações no montante de 2000 milhões de dólares, cujo calendário está ainda por anunciar.

O documento adianta que a desvalorização do kwanza, de mais de 25% face ao dólar nos leilões realizados em Janeiro, vai manter a taxa de inflação em valores elevados durante a primeira metade do intervalo analisado (2018/2022), devendo a taxa em média anual permanecer em dois dígitos até pelo menos 2021.

A moeda angolana vai continuar a desvalorizar-se, tendo em atenção que a diferença entre a taxa de câmbio oficial e a praticada nos mercados paralelos continua elevada, se bem que se tenha assistido recentemente a uma convergência, embora limitada, das duas taxas.

O relatório salienta que o governo angolano vai continuar a tentar obter empréstimos junto dos bancos da China, nomeadamente para financiar a construção de infra-estruturas, mas salienta que as instituições financeiras chinesas estão a ficar progressivamente relutantes em conceder financiamento para projectos cuja amortização será complicada. (Macauhub)

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