Caminho-de-Ferro de Benguela, Angola, passa a transportar semanalmente minério da RD do Congo

8 March 2018

Cinquenta contentores com manganês transportados em 25 vagões vão passar a efectuar o percurso entre a mina de Kisenge, na República Democrática do Congo e o porto do Lobito, em Angola, numa base semanal, ao abrigo do acordo alcançado em 2017 entre a Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) e a Société Nationale des Chemins de Fer du Congo (SNCC).

O anúncio foi feito pelo presidente do Conselho de Administração do CFB, Luís Teixeira, que revelou que o governo da República Democrática do Congo manifestou a intenção de reforçar a operação com mais 50 vagões, o que significa, no futuro, cinco composições por semana.

Luís Teixeira também anunciou contactos com empresários da RDC que exploram as minas de Coloese para que, nos próximos seis meses, seja iniciado o transporte de minério de cobre rumo ao porto do Lobito para exportação.

O reinício do envio de minerais por esta linha de caminho-de-ferro, paralisada desde a guerra civil em Angola, foi tornado possível depois de o governo angolano ter contratado o grupo China Railway 20 Bureau Group Co (CR20) para elaborar o projecto e proceder à reconstrução física da linha e das 67 estações, além do fornecimento de material circulante, num investimento avaliado em 1,83 mil milhões de dólares.

A Entreprise Minière de Kisenge Manganèse, que enviou neste primeiro carregamento cerca de mil toneladas de manganês, tem estado a aumentar a produção da mina de Kisenge, dispondo actualmente de um montante armazenado de 540 mil toneladas de carbonato de manganês, de acordo com o portal Mining Atlas.

Em 2015, na cerimónia no Luau, em que foi salientado o “dia histórico” do regresso do comboio, além do Presidente angolano, então José Eduardo dos Santos, marcaram presença igualmente os chefes de Estado da República Democrática do Congo, Joseph Kabila e da Zâmbia, Edgar Chagwa Lungu.

Os dois países, que fazem fronteira nesta região com Angola, têm na reconstruída ligação ferroviária uma forma de exportar por via marítima – através do CFB e do porto do Lobito – os minérios extraídos nas regiões de Katanga (RDCongo) e Copperbelt (Zâmbia), com a interligação futura das três redes ferroviárias. (Macauhub)

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