Chineses cada vez mais interessados no sector agrícola de Angola

A decisão do governo de Angola de encarar o sector agrícola como uma das prioridades de desenvolvimento nacional está a fazer com que empresas chinesas se posicionem para entrar no país, escreve o portal China-Lusophone Brief (CLBrief).

Num artigo intitulado “Pode a agricultura de Angola aprender com a experiência de Moçambique” o CLBrief (www.clbrief.com) cita o Instituto Nacional de Estradas de Angola para referir a importância de recuperar mais de 7.000 quilómetros de estradas que são fundamentais para a distribuição de produtos agrícolas e que neste momento são um estrangulamento ao desenvolvimento do sector.

Em Janeiro a CITIC e a Companhia China Huashi Enperprises anunciaram planos para desenvolver o agronegócio e projectos de água na província angolana de Huíla num dos primeiros investimentos chineses no sector.

A Câmara de Comércio Angola-China anunciou em Fevereiro que o investimento Chinês  em Angola vai diversificar  nos próximos anos colocando o foco na agricultura e no agronegócio. A câmara lembra que 230 dos seus membros são empresas e homens de negócios da China.

Angola tem apostado no desenvolvimento da agricultura em grande escala por empresas estrangeiras  muito à semelhança de Moçambique.

A empresa de Hubei Wanbao Grains and Oils anunciou que vai investir 250 milhões de dólares  numa área de 20 mil hectares para cultivar cereais e arroz, no Vale do Limpopo, perto do Xai Xai, no sul de Moçambique.

O governo de Moçambique deverá igualmente aprovar  um projecto de produção de feijão e milho das empresas chinesas PowerChina International Group e Xinjiang Production and Construction  Corporation  que vai ocupar uma área de 3.000 hectares junto ao rio Limpopo que é gerida pela estatal Hidráulica do Chokwe, Empresa Pública (HICEP).

O artigo lembra que a agricultura em Moçambique representa 25 por cento do GDP do país enquanto que em Angola representa 12 por cento e que mais de 67 por cento da população de Moçambique vive no campo enquanto que em Angola esse número é de 55 por cento.

Segundo o CLBrief os governos de Angola como Moçambique devem estruturar da melhor maneira os investimentos chineses para que não se tornem em projectos gigantescos que em vez de beneficiarem a economia dos países e das populações passem a ser essencialmente empreendimentos virados para a exportação. (Macauhub)

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