Produção agrícola em Angola com impacto limitado na redução da pobreza

6 April 2018

O aumento de produção do sector agrícola em Angola contribuiu em grande medida para a redução da fome, mas o impacto na redução da pobreza foi bem menor, disse o director do Departamento do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) do Cuanza Sul, em declarações proferidas em Sumbe.

Cirilo Lissimo, que abordou o tema “Importância das Cooperativas e sua Contribuição na Economia” numa conferência com as associações de camponeses e cooperativas agro-pecuárias de Angola, disse que a contribuição combinada da agricultura, pecuária, silvicultura e pesca no Produto Interno Bruto (PIB) entre 2001 e 2003 foi de cerca de 8,00%, indicador que aumentou em 2017 para 12%, devido aos programas de investimento público.

Lissimo adiantou que a maior parte do crescimento ficou a dever-se à expansão da área cultivada e não a um aumento da produtividade e acrescentou “mesmo que o sector da agricultura tenha sido identificado como área prioritária na estratégia de redução da pobreza, as dotações orçamentais para o sector continuam baixas.”

Antes da Independência, Angola era auto-suficiente em todos os principais géneros alimentares, excepto na produção do trigo, e exportava vários produtos agrícolas, em particular o café e açúcar”, disse Cirilo Lissimo, que recordou que “a guerra civil e a falta de investimento tiveram um forte impacto no sector agro-alimentar pelo que, desde 1990, o país depende da importação de alimentos e da ajuda alimentar.”

Actualmente, apenas 10% das terras aráveis de Angola são cultivadas e a produtividade por área cultivada é uma das mais baixas da África a sul do Saara, de acordo com o Jornal de Angola.

Cirilo Lissimo afirmou que as unidades agrícolas familiares costumam ter um alto grau de diversificação de seus produtos, muito embora haja quase sempre a necessidade de se estabelecer uma cultura dominante para gerar o excedente, ou seja, o capital para a realimentação do processo produtivo, através da venda do produto resultante para o mercado.

“Nas unidades de exploração agrícola comercial cerca de dois terços da população dependem da agricultura para a alimentação, rendimento e fonte de emprego, com as mulheres a constituírem a maior parte da força de trabalho”, disse Cirilo Lissimo, que acrescentou estimar-se que 80% dos camponeses estão a praticar a agricultura de subsistência, produzindo pouco ou nenhum excedente, com produtividade muito baixa. (Macauhub)

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