Empresas da China investem na produção de energia solar no Brasil

24 April 2018

A empresa Sepco1 Construções do Brasil, subsidiária do grupo Powerchina, chegou a acordo com o governo do Estado do Mato Grosso, Brasil, para construir ao longo dos próximos anos grandes centrais de energia solar, a primeira das quais exigirá um investimento de 307 milhões de dólares, de acordo com um texto recentemente publicado no China-Lusophone Brief (CLBrief).

O texto publicado no CLBrief, um serviço de informação sobre a China e os países de língua portuguesa, informa igualmente que aquela empresa, que tem a sua sede social na cidade de Vera, está a já construir uma linha de transmissão de energia eléctrica na região norte do Estado, concretamente entre as vilas de Cláudia e Paranatinga.

Durante a assinatura do acordo, o governador do Estado, Pedro Taques, anunciou que diferentes empresas chinesas estão a projectar investir no decurso dos próximos cinco anos cerca de 5000 milhões de reais (cerca de 1,5 mil milhões de dólares) em diversos projectos de produção de energia eléctrica a partir da biomassa e da energia solar.

Uma destas empresas é a CED Prometheus, que em Fevereiro passado assinou um acordo com o governo do Estado para investir 300 milhões de dólares num projecto de produção de energia em Chapada de Guimarães, a fim de abastecer as indústrias locais.

Alguns dos grupos chineses de produção de energia solar estão já no Brasil, ou com fábricas locais de produção de painéis solares ou com contractos de fornecimento de painéis construídos na China a empresas já presentes no mercado brasileiro.

O grupo BYD (“Build your dream”) de Shenzhen, zona económica especial adjacente a Hong Kong, investiu 45 milhões de dólares na construção em Campinas, a uma centena de quilómetros da cidade de São Paulo, de uma fábrica de painéis solares que, tendo entrado em funcionamento em Abril de 2017, tem uma produção anual de 200 megawatts.

Em Junho desse mesmo ano, o grupo acordou com a Universidade Estadual de Campinas, uma instituição pública de ensino superior, a instalação de um centro de pesquisa e desenvolvimento centrado na tecnologia fotovoltaica, o primeiro do género fora da China, onde dispõe de uma equipa de pesquisa e desenvolvimento com cerca de 20 mil engenheiros.

A Trina Solar, empresa chinesa que é um dos maiores produtores mundiais de painéis solares, entrou no mercado brasileiro em 2007, mas, ao invés da BYD, limitou-se a importar painéis produzidos nas fábricas que tem no país de origem, tendo aberto apenas um escritório no Brasil para garantir serviços pós-vendas.

Outra empresa chinesa que entrou no mercado brasileiro é a JA Solar, que dispõe de uma capacidade de produção anual de 5,5 gigawatts e que desde 2010 tem concentrado as vendas no estrangeiro, de onde obtém mais de metade das suas receitas.

A JA Solar, que em Julho de 2017 abriu uma subsidiária no Brasil para apoiar os clientes, assinou um contracto com o grupo italiano Enel para fornecer painéis solares com uma capacidade de 300 megawatts para construir uma central de energia solar.

O texto publicado no CLBrief recorda que a China é um dos principais produtores de painéis solares, onde se localizam três das cinco maiores empresas mundiais do sector, indo no período de 2015 a 2021 ser responsável por 36% da capacidade total de produção de energia solar do planeta. (Macauhub)

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