Angola devia 21 500 milhões de dólares à China no final de 2017

11 May 2018

A dívida bilateral e comercial de Angola à China situava-se no final de 2017 em 21 500 milhões de dólares, de acordo com o prospecto da emissão de 3000 milhões de dólares em euro-obrigações colocada este mês na praça de Londres.

O documento com mais de 200 páginas informa que além da dívida à China, Angola devia a bancos comerciais russos 1800 milhões de dólares e ao Brasil 1200 milhões de dólares, de acordo com a agência noticiosa Lusa.

“Angola concentrou a exposição da sua dívida à China, Brasil e Rússia e um impacto adverso nas suas economias pode ter impacto na capacidade futura de Angola de aumentar os seus empréstimos”, admite o mesmo prospecto, preparado pelo Ministério das Finanças angolano, que coloca em 24 500 milhões de dólares a dívida total apenas a estes três países.

O documento salienta que desde 2006 a China tornou-se no “maior importador individual de petróleo angolano”, chegando a representar, em 2017, um peso de 61,6% das exportações de petróleo por Angola, no valor de 19 200 milhões de dólares.

“Contudo, a dependência de Angola da China para uma proporção tão significativa do seu comércio significa que qualquer perturbação da estabilidade ou crescimento económico na China, ou qualquer ruptura económica ou de relações políticas entre Angola e China poderiam ter um efeito adverso na economia angolana, que, por sua vez, pode afectar materialmente e adversamente a condição financeira de Angola”, bem como a “sua capacidade de pagar” o endividamento em euro-obrigações agora contraído.

Da mesma forma, é referido que a exposição de Angola ao Brasil em “parte significativa” da sua dívida externa bilateral – através do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) – “significa que qualquer interrupção na estabilidade económica” daquele país sul-americano “pode ter um efeito adverso sobre a capacidade de Angola de aumentar os empréstimos bilaterais” no futuro, tal como com os bancos comerciais russos.

O embaixador da China em Angola, Cui Aimin, anunciou em Janeiro passado ter o seu país concedido a Angola empréstimos no valor de mais de 60 mil milhões de dólares desde que os dois países estabeleceram relações diplomáticas, a 12 de Janeiro de 1983. (Macauhub)

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