Economia de Cabo Verde reforça crescimento em 2017 com taxa de 3,9%

26 June 2018

A economia de Cabo Verde reforçou em 2017 o dinamismo já evidenciado em 2016, tendo registado um crescimento de 3,9%, superior em uma décima de ponto percentual ao observado um ano antes, informou o Banco de Cabo Verde no relatório anual relativo a 2017, recentemente divulgado na Praia.

“O melhor desempenho da economia (…)  foi favorecido pelo fortalecimento do ciclo de recuperação das economias parceiras do país e dos seus mercados de trabalho, bem como por impulsos orçamental (via, sobretudo, execução de investimentos públicos e aumento das despesas com pessoal, com efeito multiplicador relevante) e monetários (em função do reforço de medidas de afrouxamento da política monetária em Junho)”, pode ler-se no documento.

O relatório anual do banco central cabo-verdiano acrescenta que o crescimento foi determinado do lado da procura pelos contributos positivos do consumo privado e dos investimentos privado e público e, do lado da oferta, pelo incremento dos valores acrescentados brutos da indústria transformadora, da administração pública, da electricidade e água, do alojamento e restauração e do comércio, numa conjuntura de aumento de empregos nos sectores da construção, da administração pública, do alojamento e restauração e da indústria transformadora, de crescimento contido da inflação (0,8% em termos médios anuais) e de consistente aumento do crédito ao sector privado (6,8%, ritmo mais acelerado desde 2011).

A expansão da procura agregada, dadas as restrições da capacidade produtiva, resultou, entretanto, num crescimento significativo das importações e, consequentemente, no agravamento das balanças comercial e corrente e o alargamento das necessidades de financiamento da economia, não compensado pelo crescimento de influxos líquidos de financiamento, determinou a queda das reservas internacionais líquidas do país, na ordem dos 13 milhões de euros, pela primeira vez desde 2011.

O documento adianta que o desempenho da economia do país em 2017 sugere que estará a reforçar o ciclo de retoma mas acrescenta que o fortalecimento da sua capacidade produtiva e de resistência a choques exógenos (nomeadamente aos ciclos económicos da Europa), condição necessária para o alcance dos níveis de bem-estar ambicionados, interpela as autoridades de política ao desenho adequado e aplicação eficiente de um quadro de reformas estruturais. (Macauhub)

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