Diplomata da China sugere parcerias com empresas chinesas para processar feijão de soja

17 August 2018

As empresas do Brasil e da China poderiam constituir parcerias para processar feijão de soja, a fim de aumentar as exportações de farelo de soja para o mercado chinês, disse um conselheiro da Embaixada da China no Brasil.

Qu Yuhui disse recentemente à agência financeira Reuters que as empresas chinesas processam no país a maior parte da soja que importam, nomeadamente do Brasil, ao invés de comprar farelo de soja, “uma vez que os seus responsáveis escolhem a solução mais lucrativa.”

“Mas se uma empresa chinesa e outra brasileira constituírem uma parceria no Brasil para processar soja, seria uma boa escolha com benefícios para ambos os lados”, adiantou o conselheiro, acrescentando que tal parceria poderia aliviar o encargo dos custos logísticos brasileiros.

Em Julho passado, o ministro brasileiro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que o governo ia pedir à China a atribuição de uma quota para a exportação de derivados de soja, caso de farelo e óleo, no decurso de um encontro bilateral a ter lugar no âmbito da reunião cimeira dos BRICS, em Joanesburgo.

“A ideia é solicitar uma quota de cinco milhões de toneladas por ano para exportações daqueles dois derivados do feijão de soja”, adiantou o ministro, que recordou estarem as empresas brasileiras a venderem à China cerca de 60 milhões de toneladas de feijão de soja por ano.

Num artigo intitulado “A guerra comercial entre a China e os Estados Unidos poderá ajudar o Brasil” o portal de informação económica CLBrief (China Lusophone Brief) refere pormenores de como os produtores brasileiros poderão ser beneficiados.

O Brasil não exporta, no entanto, farelo de soja atendendo ao facto de a China aplicar taxas alfandegárias à importação do produto, disse ainda Blairo Maggi, citado pelo jornal brasileiro Folha de São Paulo.

Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços indicam que o Brasil exportou 56,47 milhões de toneladas de feijão de soja no período de sete meses de Janeiro a Julho, um acréscimo homólogo de 10,8% e 10,30 milhões de toneladas de farelo de soja, 17,5% a mais do que no mesmo período do ano passado. (Macauhub)

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