Caminhos-de-ferro de Angola vão ser parcialmente privatizados

10 October 2018

O governo de Angola está a elaborar o processo de privatização parcial das três principais linhas de caminhos-de-ferro, devido à situação financeira difícil que o país enfrenta, segundo um artigo recentemente publicado no China-Lusophone Brief (CLBrief).

As três linhas em questão são, de Norte para Sul, a de Luanda, que liga a capital a Malanje, a de Benguela, que vai do porto do Lobito a Luau, na fronteira com a República Democrática do Congo e a de Moçâmedes, que liga a cidade com o mesmo nome, anteriormente Namibe, a Menongue.

O CLBrief, um serviço de informação sobre a China e os países de língua portuguesa, escreveu ainda que para que o processo venha a ser bem-sucedido é necessário que o governo despenda fundos para melhorar as condições técnicas das linhas de caminhos-de-ferro.

Um relatório técnico confidencial sobre o estado das três linhas obtido pelo CLBrief concluiu que a linha de caminho-de-ferro de Benguela não satisfaz os padrões internacionais mínimos para que possa servir para escoar o minério de cobre extraído nas minas da RD do Congo.

As conclusões do estudo indicam que a fim de permitir a expansão do caminho-de-ferro de Benguela é necessário modernizar a linha em toda a sua extensão, 1344 quilómetros, bem como comprar 2500 vagões preparados para transportar diversos tipos de carga.

O artigo do CLBrief informa ainda que o actual governo de Angola pretende a privatização parcial das linhas de caminhos-de-ferro, ao invés da simples gestão em regime de concessão, tendo o Presidente João Lourenço tentado interessar as empresas alemãs do sector ferroviário durante a sua recente visita à Alemanha.

O governo de Angola está igualmente a considerar os operadores ferroviários da África do Sul, por entender que essas empresas têm as qualificações técnicas e financeiras necessárias para tomar conta das três grandes linhas de caminhos-de-ferro do país. (Macauhub)

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