Moçambique quer realizar encontro de credores das dívidas não-declaradas em 2019

9 November 2018

O governo de Moçambique pretende reunir os credores dos empréstimos não-declarados num encontro para troca de dívida no primeiro trimestre de 2019, disse quinta-feira em Maputo o ministro da Economia e Finanças.

O ministro Adriano Maleiane, que falava à margem de uma conferência sobre a economia de Moçambique organizada pelo Financial Times, disse que o encontro de credores poderá ter lugar no primeiro trimestre de 2019 e acrescentou “queremos que seja o mais depressa possível.”

Em causa estão os empréstimos contraídos pelas empresas controladas pelo Serviço de Informações e Segurança do Estado Mozambique Assett Management (535 milhões de dólares) e ProIndicus (622 milhões de dólares) com o aval do Estado e cujo capital nunca foi amortizado nem os respectivos juros pagos pelo governo do país.

O ministro, citado pela agência financeira Bloomberg, disse ainda estar convicto de que a proposta anunciada para reestruturar a única emissão de euro-obrigações feita por Moçambique, de 727 milhões de dólares com amortização em 2023, será aceite por pelo menos 75% dos tomadores, condição essencial para a sua aprovação.

Um grupo de investidores que representa 60% da emissão em dívida e que incluem a Farallon Capital Europe LLP, Greylock Capital Management, LLC e Pharo Management LLC aceitou a proposta que consiste na substituição de obrigações no valor de 726,524 milhões de dólares por uma nova emissão de obrigações não garantidas com um valor facial de 900 milhões de dólares, uma taxa de juro de 5,875% e um prazo de amortização até 2033.

A proposta inclui o pagamento de 5,0% dos lucros a obter com a exploração de gás natural, o que deverá iniciar-se em 2023, quando o projecto liderado pelos grupos italiano ENI e norte-americano ExxonMobil no bloco Área 4 começar a funcionar. (Macauhub)

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