EIU revê em baixa para -0,7% previsão de crescimento de Angola para 2018

11 December 2018

A Economist Intelligence Unit (EIU) decidiu rever em baixa para menos 0,7% a previsão de crescimento da economia de Angola para o ano prestes a findar, segundo o mais recente relatório sobre o país.

A revisão em baixa de uma anterior previsão de um crescimento de 2,3% deriva, segundo o relatório, do fraco desempenho da economia angolana no primeiro semestre.

No entanto, a evolução económica no período de 2019/2023 apresenta-se mais sólida, com uma previsão de crescimento anual de 2,9%, desde que os preços do barril de petróleo se mantenham relativamente elevados e que o bloco Kaombo comece a produzir, ajudando dessa forma a aumentar a produção nacional.

São ainda condições para a previsão do Produto Interno Bruto efectuada pela EIU que haja um aumento tanto da despesa pública como do consumo privado, gerando-se desta forma um mecanismo circular de crescimento económico.

Mas, o relatório adianta que os esforços para diversificar a economia além do sector dos hidrocarbonetos continuarão a ser prejudicados pelo difícil ambiente de negócios.

A EIU recorda que a taxa de crescimento prevista representa cerca de um quarto da registada no período de 10 anos até 2014 e acrescenta que o Produto Interno Bruto “per capita” no período em análise tenderá a contrair-se.

O documento menciona, no entanto, os esforços que estão a ser desenvolvidos pelo actual governo de João Lourenço, de redução da burocracia e da corrupção bem como da concorrência desleal das empresas públicas face às privadas, mas salienta serem necessários muitos mais a fim de fazer com que o rendimento “per capita” possa aumentar.

“João Lourenço vai encontrar a resistência de interesses velados e existe um risco evidente de que as autoridades dêem prioridade a medidas populares caso o crescimento da economia permaneça anémico e caso esse facto tenha como consequência o desencanto das pessoas para com a elite no poder”, pode ler-se.

A EIU prevê também que a taxa de inflação registe um movimento descendente no período de 2019/2023, sendo que apenas neste último ano deverá baixar para apenas um dígito, concretamente 9,9%. (Macauhub, foto de Kostadin Luchansky)

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