Macau terá sempre um papel a desempenhar na relação de Portugal com a China

22 January 2019

Macau terá sempre um papel a desempenhar na relação de Portugal com a China, uma vez que foi através de Macau que ela se iniciou e tem continuado a fortalecer-se, disse o novo cônsul-geral de Portugal em declarações ao jornal Plataforma.

Paulo Cunha Alves disse ainda que a própria China terá vantagem em ouvir o que pensa o governo de Macau sobre a forma de desenvolver a relação com Portugal e acrescentou “Macau terá sempre o seu contributo porque haverá empresários, gestores, juristas envolvidos nos processos negociais de um lado e do outro.”

O diplomata, ao ser questionado de que forma poderá Portugal beneficiar com a sua inclusão na iniciativa chinesa “Faixa e Rota”, disse que a virtude da iniciativa é poder desenvolver uma relação privilegiada que já existe entre os dois países, aprofundando-a do ponto de vista das relações económicas e dos contactos humanos.

“Quando falamos em investimentos económicos não podemos deixar de falar da movimentação de comunidades de um país para o outro, de turismo, porque vai certamente existir um incremento, e são esses fluxos e contactos humanos que vão ajudar a fortalecer a relação bilateral, sendo que Portugal tem a aproveitar em vários domínios – económico, comercial, empresarial e ao nível do turismo e da língua.”

Paulo Cunha Alves referiu ainda encarar o projecto da Grande Baía Guangdong – Hong Kong – Macau como uma oportunidade para a comunidade e a cultura portuguesas se afirmarem e salientou que “a língua portuguesa pode ser a alma do negócio para Macau.”

O início da construção daquele projecto pode fazer com que a comunidade portuguesa alargue o âmbito da sua intervenção e saia de Macau para dar o contributo noutras cidades aqui à volta, onde embora não exista uma comunidade portuguesa significativa começam a surgir interesses económicos.

O cônsul-geral recordou a abertura de um consulado de Portugal em Cantão, em 2018, facto que vai servir de atracção para desenvolver um maior intercâmbio com Macau ao nível das empresas, escritórios de advogados e outros interesses.

“Voltava a mencionar a questão da língua, dado o interesse manifestado na China, como o demonstra o número de universidades com cursos de português, pelo que as cidades que se encontram nos arredores de Macau, na província de Guangdong, terão muito interesse em aprofundar o relacionamento e em ter quadros que possam também dominar a língua para que possam fazer negócios com o mundo de língua portuguesa”, disse.

Paulo Cunha Alves revelou ao Plataforma que a comunidade portuguesa expatriada tanto em Macau como em Hong Kong, a área de influência do consulado, oscila entre 6000 a 7000 pessoas, sendo que o número de titulares de passaporte português nas duas regiões administrativas especiais rondará entre 165 mil e 170 mil. (Macauhub)

Foto: Plataforma

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