Banco de Poupança e Crédito de Angola ficará com capitais suficientes até Junho de 2020

23 January 2019

O Banco de Poupança e Crédito (BPC) de Angola irá ficar suficientemente capitalizado até Junho de 2020, passando a ser viável uma vez concluída a sua reestruturação, segundo um relatório técnico do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O relatório, elaborado na sequência do pedido de apoio financeiro apresentado por Angola ao FMI e consequente aprovação de um empréstimo a três anos no montante de 3,5 mil milhões de dólares, refere igualmente que o plano de reestruturação actualizado incluirá uma recapitalização adicional e mais transferências de créditos malparados para a entidade pública de recuperação de activos (Recredit).

Constituída pelo governo em Maio de 2017, com uma capitalização inicial equivalente em dólares a dois mil milhões, a Recredit iria centrar a sua actuação na aquisição do crédito malparado na banca pública, estando aberta a adquirir créditos problemáticos em toda a banca que desenvolva actividades no território nacional desde que relacionados com processos direccionados à economia angolana.

O documento do FMI informa também que até ao final de Março de 2019 serão instituídos na Recredit disposições de governação e procedimentos operacionais adequados (tais como avaliação de activos, preços de transferência, processo de resolução de dívidas e cláusula de caducidade) para maximizar as recuperações e minimizar os custos fiscais.

O governo de Angola irá ainda limitar o mandato da Recredit à compra de créditos malparados no BPC, o maior banco por activos de Angola, que poderá vir a beneficiar de medidas adicionais em avaliações futuras.

O relatório Banca em Análise 2018, elaborado pela Deloitte Angola, refere que o rácio de crédito vencido sobre o crédito concedido na totalidade do sistema bancário angolano passou de 12,7% em 2016 para 40,2% em 2017.

“Caso não fosse considerado o BPC neste rácio, observar-se-ia um rácio de crédito vencido de 8,2% e 17,0% em 2016 e 2017, respectivamente”, lê-se no relatório, que informa de forma indirecta que aquele banco público tinha rácios de 4,5% em 2016 e de 23,2% em 2017. (Macauhub)

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