Macau deverá registar uma expansão moderada da economia no médio prazo, FMI

27 February 2019

Macau deverá registar uma expansão moderada da economia no médio prazo, com excedentes na execução orçamental e nas contas externas, que será sustentada pela massificação do jogo e do turismo de não-jogadores, conjugada com a manutenção do monopólio do jogo na China, segundo a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

A missão do FMI, que esteve em Macau ao abrigo do Artigo IV da instituição, prevê que a economia de Macau registe um crescimento de 5,3% em 2019, mantendo-se sólida no médio prazo com uma taxa média de 5,0%.

 

O principal factor desse crescimento será o turismo, com a massificação do jogo de massas e de não-jogadores e um crescimento mais moderado do segmento de jogadores VIP, em linha com os esforços de diversificação das autoridades para criar fontes de crescimento mais estáveis.

 

O investimento deverá continuar fraco, apesar de melhorar no médio prazo, devido em parte à iminente expiração das licenças de jogo, pode ler-se no documento divulgado em Washington.

 

O crescimento mais moderado do sector de jogos gerará menores receitas fiscais, ao passo que a despesa social deverá crescer devido ao envelhecimento da população e a pressões sociais, mas os excedentes orçamentais (em percentagem do PIB) deverão manter-se no médio prazo, embora com menor dimensão.

 

O documento recorda que a economia retomou um período de expansão em meados de 2016, tendo as receitas do jogo e do turismo retomado o crescimento forte em 2017 e no início de 2018, após o crescimento negativo de 2014-16 na esteira de desenvolvimentos na China Continental que reduziram a procura externa de visitantes que gastam grandes somas (jogadores VIP).

 

A missão do FMI afirma na declaração final da missão que a pequena economia e aberta de Macau é altamente vulnerável a mudanças económicas, financeiras e políticas no Continente, uma vez que qualquer política que comprometa o seu poder de compra no estrangeiro terá um efeito negativo no crescimento, além do que a introdução de jogos de azar ou um crescimento abaixo do previsto na China Continental também afectará negativamente o crescimento.

 

O agravamento das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China Continental poderá afectar consideravelmente a RAE de Macau, inclusivamente através da queda do turismo do Continente e da redução do investimento por parte dos três operadores de casinos americanos.

 

O forte aperto das condições financeiras mundiais com aumentos inesperados dos juros por parte da Reserva Federal dos EUA é também apresentado como um risco para Macau, dado que a indexação indirecta da pataca ao dólar norte-americano, faria com que a moeda de Macau se apreciasse face ao yuan, com a consequente redução da competitividade de Macau e a queda dos gastos com jogos por visitante, apesar de até hoje estas receitas terem resistido às variações cambiais. (Macauhub)

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