OPA da China Three Gorges sobre a Energias de Portugal pode cair quarta-feira

23 April 2019

A Oferta Pública de Aquisição da totalidade do capital social do grupo EDP – Energias de Portugal ficará sem efeito caso a desblindagem dos estatutos não seja aprovada pela assembleia-geral, informou o grupo estatal China Three Gorges.

“Relativamente à proposta de Elliot International, L.P. e de Elliot Associates […] e a declaração divulgada pela CMVM a 12 de Abril de 2019, a CTG gostaria de declarar irrevogavelmente a todos os interessados e, em especial, aos accionistas da EDP que todas as condições a que o lançamento da Oferta se encontra sujeito permanecem em vigor e, especificamente, no caso de o resultado da votação não permitir a eliminação do actual limite à contagem de votos, que a CTG não renunciará a essa condição”, informou o grupo.

Esta posição consta de uma carta enviada pelo presidente da CTG Europe, Wu Shengliang, ao vice-presidente da mesa da assembleia-geral de accionistas da EDP, Rui Medeiros, divulgada através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O grupo chinês diz ainda que “respeitará as decisões adoptadas pelas autoridades e pela assembleia-geral” e afirma que “permanecerá como investidora estratégica de longo prazo da EDP e continuará a contribuir como parceira estratégica para o desenvolvimento sustentável da sociedade, independentemente do resultado final da Oferta.”

A CTG, através desta comunicação ao mercado, pede que a mesma seja lida na assembleia-geral de 24 de Abril.

A CMVM alertou no passado dia 12 de Abril que caso os accionistas da EDP rejeitem, no decurso da assembleia-geral, a proposta de alteração estatutária do fundo Elliot dá-se “a não verificação” de uma das condições para o registo da oferta do grupo CTG sobre a EDP, pelo que a operação não avança.

O regulador dos mercados financeiros disse que a excepção é “no caso de o oferente [a CTG] exercer a faculdade de renúncia à referida condição”, o que a declaração de hoje da CTG exclui.

O grupo EDP comunicou a 1 de Abril ter o fundo Elliot, detentor de 2,01% do capital social da EDP, requerido ao vice-presidente da mesa da assembleia-geral a introdução de um novo ponto na ordem de trabalhos para que os accionistas se pronunciem sobre a eventual eliminação do limite de 25% dos direitos de voto. (Macauhub)

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