Impulso ao Fórum Macau e cooperação em países terceiros na visita de Marcelo Rebelo de Sousa à China

A cooperação entre a China e Portugal em mercados terceiros e o papel do Fórum Macau estiveram em foco durante a visita oficial do presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa à China, concluída quarta-feira em Macau.

“Há o objectivo de dar mais força ao Fórum Macau, algo que foi muito sentido em todos os encontros, nomeadamente no efectuado com a delegação liderada pelo Presidente [chinês], Xi Jinping”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa em Pequim, na primeira etapa da sua visita à China.

O presidente português sublinhou ainda a vontade do governo da China de apostar na Comunidade de Países de Língua Portuguesa, tendo adiantado que uma das vias possíveis “pode e deve ser o Fórum Macau.”

Rebelo de Sousa foi um dos chefes de Estado que participaram no 2.º Fórum Faixa e Rota, tendo usado da palavra a 27 de Abril na 3.ª sessão de trabalho subordinada ao tema do desenvolvimento sustentável e implementação da Agenda 2030 da ONU.

Ainda em Pequim, jantou com alguns dos principais presidentes de grupos chineses com interesses em Portugal e no dia seguinte promoveu um jantar com os maiores exportadores portugueses para o mercado chinês.

Na conclusão da etapa de Pequim, o presidente português reuniu-se a 29 de Abril com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e com o seu homólogo Xi Jinping, juntamente com as respectivas delegações.

Na ocasião, foram assinados acordos bilaterais, com destaque para o memorando de entendimento entre os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e da China para o Estabelecimento de um Diálogo Estratégico, que substitui assim a anterior Parceria Estratégica estabelecida em 2005.

Ao abrigo do novo memorando, Portugal e a China procedem a consultas políticas regulares sobre temas bilaterais e de política internacional e aumentam os contactos entre as autoridades governativas, com visitas mútuas, uma vez por ano, ora na China, ora em Portugal, ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros.

Em Pequim, foi ainda assinado um acordo quadro relativo à cooperação comercial em mercados terceiros entre a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e a China Export and Credit Insurance Corporation e um protocolo com o Instituto Confúcio relativo à cooperação para a aprendizagem de mandarim no ensino secundário português.

Depois da passagem por Xangai, onde se reuniu com a comunidade portuguesa local, e já em Macau, Rebelo de Sousa destacou o acordo no domínio da língua, entre os principais resultados da sua visita.

Foram dados “passos muito concretos” num domínio que é estratégico e “portanto futuro” – a língua portuguesa e a educação -, mas também noutro domínio estratégico que é economia e finanças, numa altura em que Macau assinala o vigésimo aniversário da transferência de administração de Portugal para a China, disse o chefe de Estado português.

“É mais importante a aposta na educação, na língua portuguesa, na cultura portuguesa, no mandarim e no seu ensino em escolas portuguesas e no intercâmbio cultural porque tem efeitos de médio e longo prazo em muitas gerações, do que os muitos importantes passos dados em matéria económica e financeira” durante esta visita, disse.

Até final do ano, adiantou, 48 universidades da China vão estar a ensinar português. (Macauhub)

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