Economia não-petrolífera de Timor-Leste deverá ter estagnado em 2018, FMI

9 May 2019

A economia não-petrolífera de Timor-Leste deverá ter praticamente estagnado em 2018, com uma taxa de crescimento próxima de 0,8%, depois de em 2017 se ter contraído 4,5% devido às incertezas políticas e económicas, escreveu o Fundo Monetário Internacional.

A melhoria registada ficou a dever-se à retoma da despesa pública no quarto trimestre de 2018, tendo a taxa de inflação passada de uma média anual de 0,8% em 2017 para 2,1% em 2018 devido ao aumento dos preços do arroz e do tabaco bem como das propinas escolares.

Em termos globais, a economia do país deverá ter registado uma contracção de 8,0% em 2018, significativamente pior do que os 4,5% negativos contabilizados em 2017.

Para este ano, o FMI prevê que a economia não-petrolífera de Timor-Leste cresça a uma taxa de 5,0%, igualmente em resultado do acréscimo de despesa pública, que será acompanhado de aumento da taxa de inflação, que deverá rondar 4,0%.

O comunicado, divulgado na sequência da consulta efectuada ao abrigo do Artigo IV por uma equipa que visitou Timor-Leste no final de Março, refere que o défice orçamental em 2018 deve ter sido menor do que o de 2017, quando atingiu 19,0% do Produto Interno Bruto, já uma melhoria face aos 35% do PIB em 2016.

A redução do défice orçamental fez com que os saques sobre o Fundo Petrolífero se tenham reduzido de forma significativa, tendo o saldo aumentado em 2017 pela primeira vez desde 2014, se bem que no final de 2018 tenha caído para cerca de 16 mil milhões de dólares devido a condições mais rígidas nos mercados financeiros.

O documento menciona o projecto Greater Sunrise, cujo desenvolvimento “constitui um risco significativo” a longo prazo para Timor-Leste, exigindo medidas adequadas para minimizar os riscos de financiamento, mas adianta que a questão chave com que Timor-Leste se defronta é conseguir uma maior diversificação económica.

“Poucos progressos na redução da dependência do sector público e na criação de maior número de postos de trabalho no sector privado colocarão uma pressão mais acentuada nas finanças públicas, na sustentabilidade orçamental a longo prazo e na deterioração das condições do mercado de trabalho”, pode ler-se no documento. (Macauhub)

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