Ciclones Idai e Kenneth levam economia de Moçambique a contrair-se em 2019

23 May 2019

A economia de Moçambique deverá contrair-se em 2019, com a Economist Intelligence Unit (EIU) a prever uma taxa negativa de 2,2%, para voltar a crescer em 2020 e nos anos seguintes até 2023, sendo que último ano do período em análise aumentará 7,5%.

O mais recente relatório da EIU sobre Moçambique recorda os danos elevados prejuízos materiais registados em infra-estruturas, edifícios, portos e explorações agrícola com a passagem do ciclone Idai na zona de Sofala e Manica, centro do país, em Março, e do ciclone Kenneth no norte em Abril seguinte.

À medida que a recuperação dos prejuízos causados pela passagem dos dois ciclones comece a dar resultados, a economia de Moçambique voltará a crescer a uma média anual de 5,3% no período de 2020/2023.

O documento volta a recordar o papel que os grupos petrolíferos envolvidos nos blocos Área 1 e Área 4 da bacia do Rovuma irão ter no desenvolvimento económico de Moçambique quando iniciarem a extracção de gás natural, prevista para 2023, aguardando-se para breve o anúncio da decisão final de investimento.

O caso do bloco Área 1, projecto liderado pelo grupo americano Anadarko Petroleum, poderá vir a sofrer atrasos, uma vez que o grupo Occidental Petroleum assinou um contrato de venda dos activos do primeiro em África ao grupo francês Total, negócio que estava dependente da compra da Anadarko.

A EIU menciona, no entanto, que ambos os projectos são de importações e de capital intensivo, pelo que, exceptuando a receita fiscal a ser obtida pelo Estado moçambicano, o seu contributo para o crescimento e valorização das empresas do país deverá ser limitado.

De qualquer modo, o crescimento previsto para 2023, com uma taxa de 7,5%, incorpora já o impacto que os dois projectos de exploração de recursos naturais irá ter na economia de Moçambique, que deverá registar crescimentos mais elevados à medida que grandes quantidades de gás começarem a ser exportadas para os mercados, particularmente os asiáticos.

O relatório da EIU prevê um aumento da taxa de inflação, devido à subida dos preços dos produtos alimentares, tendo em atenção os prejuízos registados nas explorações agrícolas que foram afectadas pelos dois ciclones. (Macauhub)

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