Assinado em Moçambique acordo de investimento do projecto de gás natural liquefeito

19 June 2019

O Governo de Moçambique e os parceiros da Área 1 liderados pela multinacional norte-americana, Anadarko, rubricaram terça-feira, em Maputo, um acordo sobre os investimentos do projecto de gás natural liquefeito da bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, norte do país.

Trata-se de um investimento na ordem de US$ 25 mil milhões a serem financiados em US$ 414 mil milhões por fundos bancários e em US$ 11 mil milhões por capitais próprios dos accionistas da concessão.

O acordo, rubricado pelo Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela, e pelo Presidente do Conselho de Administração da Anadarko, Al Walker, na presença do Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, não pressupõe nenhuma garantia por parte do Estado Moçambicano.

“Com este acto testemunhamos a garantia de exploração de um recurso fundamental para o desenvolvimento de Moçambique. Trata-se do maior investimento na história de Moçambique como nação. Hoje o presente encontra-se com o futuro”, afirmou Filipe Nyusi.

O plano de desenvolvimento do projecto prevê duas linhas de liquefação, instaladas em terra, e com capacidade anual de produção de 12 milhões de toneladas de gás natural liquefeito. O projecto prevê ainda o desenvolvimento de uma linha de abastecimento de gás doméstico.

O projecto do gás natural liquefeito Golfinho Atum emprega, actualmente, mais de 2.000 trabalhadores dos quais 800 são originários do distrito de Palma. Estima-se que no total o projecto crie mais de 5.000 postos de trabalho directos e 45.000 indirectos.

A Área 1 possui mais de 75 “triliões de pés cúbicos” (tcf, sigla inglesa) de depósitos de gás “off-shore”.

Além da Anadarko, que lidera o consórcio com 26,5%, o grupo que explora a Área 1 é constituído pela japonesa Mitsui (20%) e a petrolífera estatal moçambicana ENH (15%), cabendo participações menores à indiana ONGC (10%) e à sua participada Beas (10%), à Bharat Petro Resources (10%), e à tailandesa PTTEP (8,5%).

A Anadarko deve ceder a liderança do consórcio à francesa Total até final do ano, depois de ser comprada por outra petrolífera dos Estados Unidos da América, a Occidental, que por sua vez celebrou um acordo para venda dos activos em África.

Os projectos de gás natural em Moçambique devem entrar em produção dentro de aproximadamente cinco anos. (Macauhub)

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