Economia de Angola deverá registar uma contracção média de 3,7% em 2019/2020

26 June 2019

Angola deverá registar dois anos consecutivos de contracção económica em 2019 e 2020, segundo previsões da Economist Intelligence Unit (EIU), que antecipa taxas negativas de 3,8% e 3,6%, respectivamente, antes de voltar a crescer à taxa média de 4,2% por ano entre 2021 e 2023.

O relatório da EIU relativo a Angola começa da pior maneira quando se debruça sobre o crescimento económico, com a afirmação de que as perspectivas económicas de Angola continuam fracas, seguida da constatação de que a produção de petróleo caiu quase 10% em 2018 para uma média de 1,478 milhões de barris por dia, devido ao facto de vários poços estarem já numa fase de final de vida e de não ter sido feito investimento em novos outros.

O documento antecipa que a produção de petróleo deverá continuar em queda ao longo dos próximos dois anos, permanecendo mesmo abaixo do limite de 1,481 milhões de barris por dia imposto pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), devido à queda dos preços do produto e ao adiamento ao investimento.

“Não obstante a introdução de numerosos incentivos fiscais, Angola tem tido grande dificuldade em atrair investimento internacional em recursos em águas profundas e ultra-profundas, onde o custo por barril é mais elevado”, pode ler-se.

A economia também não poderá contar com um aumento da despesa por parte do Estado, uma vez que a perda de receita fiscal devido ao abaixamento do preço do petróleo e da diminuição da produção conduzirá a que o governo tenha dificuldade em actuar contra-ciclo aumentando a despesa, injectando dessa forma liquidez na economia.

O crescimento médio anual de 4,2% de 2021 a 2023 decorrerá, segundo a EIU, devido a um crescimento mais acentuado dos sectores agrícola, mineiro, de construção civil, industrial e dos serviços, que serão apoiados pelo aumento do crédito devido a redução da taxa de inflação.

“Durante este período, os níveis de produção dos campos em final de vida continuarão a baixar, ao mesmo tempo que a produção em campos em águas profundas e ultra-profundas continuara a ser adiada devido ao fraco ambiente de negócios do país, aos custos de exploração elevados e ao facto de o custo por barril ser aqui mais elevado”, pode ler-se.

O relatório da EIU adianta que o crescimento da economia não-petrolífera de Angola, que se deverá verificar a partir de 2021, irá permitir que, em associação com uma quebra pronunciada da produção petrolífera, o governo do país deverá adoptar uma atitude mais favorável à realização de negócios. (Macauhub)

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