Economist Intelligence Unit prevê que economia de Moçambique se contraia 2,2% em 2019

18 July 2019

O Produto Interno Bruto de Moçambique vai sofrer uma contracção de 2,2% este ano, para voltar a crescer a nuns modestos 2,7% em 2020, prevê o Economist Intelligence Unit (EIU), no seu mais recente relatório sobre o país.

O documento refere que esta evolução da economia moçambicana deve-se à passagem de das tempestades tropicais Idai em Março e Kenneth em Abril, que causaram grande destruição nas explorações agrícolas bem como nas infra-estruturas, causando, entre outros factores, o aumento dos preços, com a taxa de inflação a situar-se em 6,1% este ano e 7,1% em 2020.

A EIU adianta que a economia de Moçambique atingirá taxas mais elevadas a partir de 2021, com 5,6% nesse ano e no seguinte e 7,5% em 2023, último ano do intervalo analisado, quando está previsto o início dos depósitos de gás natural existentes em dois blocos da bacia do Rovuma.

O apoio internacional a Moçambique fará com que o défice orçamental em 2019/2020 se contraia, antes de voltar a crescer em 2021, reflectindo a queda acentuada das ajudas internacionais.

O relatório da EIU menciona a ocorrência de alguns progressos no que respeita às dívidas comerciais – uma emissão de euro-obrigações e dois empréstimos comerciais com avais do Estado no montante global de 2000 milhões de euros – caso do anúncio efectuado em Maio pelo Ministério da Economia e Finanças.

Nessa ocasião foi anunciado ter sido possível chegar a um acordo com um grupo de credores sobre a reestruturação da emissão de euro-obrigações no montante de 722 milhões de dólares, depois de uma anterior reestruturação da emissão original no valor de 850 milhões de dólares.

Os analistas da EIU voltam a afirmar que estas questões não impedirão a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) de ir ao mercado internacional angariar cerca de 2300 milhões de dólares, que são a sua parte do investimento necessário para iniciar a extracção de gás no bloco Área 1, operado pelo grupo americano Anadarko Petroleum.

A ENH anunciou entretanto ter decidido adiar para o final do ano a ida ao mercado, por considerar que as condições actuais não são as melhores, segundo declarações do seu presidente Omar Mithá à agência financeira Bloomberg. (Macauhub)

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