Governo de São Tomé e Príncipe vai negociar perdão da dívida externa

3 September 2019

O governo de São Tomé e Príncipe vai negociar com os parceiros internacionais o perdão da dívida externa, de mais de 300 milhões de dólares, disse o primeiro-ministro Jorge Bom Jesus, em declarações proferidas em Lisboa à Deutsche Welle África.

O primeiro-ministro disse ainda que a dívida oculta de 70 milhões de dólares contraída pelo anterior Governo de Patrice Trovoada tem um impacto sério nas contas públicas mas acrescentou que caberá à justiça apurar os responsáveis pela sua contracção.

“Durante muito tempo os governos, sobretudo o anterior, divulgaram o montante da dívida externa mas o valor da dívida interna foi sonegado”, disse Bom Jesus, para acrescentar que as duas componentes fazem parte da dívida do Estado, “hoje em dia quase insustentável.”

O Fundo Monetário Internacional acusou o governo do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada de ter ocultado várias dívidas e despesas no valor equivalente a 3,0% do Produto Interno Bruto (PIB), o que fez com que a dívida de São Tomé e Príncipe tenha ficado “praticamente descontrolada.”

“Quando estivemos cá em Abril, descobrimos que tinham sido feitas despesas na ordem dos 2% do PIB que não tinham entrado nas contas que nos tinham sido apresentadas”, declarou Xiangming Li, chefe da missão do FMI para São Tomé e Príncipe.

A chefe de missão adiantou que a esses 2,0% há que adicionar o equivalente a 1,0% do PIB, resultante de empréstimos contraídos por entidades públicas junto da banca comercial, “o que fez com que o país tenha superado o indicador de referência anteriormente estabelecido.”

Jorge Bom Jesus reafirmou ainda o empenho do seu governo na luta contra a corrupção, “a fim de retirar o país do buraco em que se encontra”, tendo recordado que São Tomé e Príncipe possui os recursos necessários para o seu desenvolvimento, “desde os humanos, passando por um mar imenso e o espaço aéreo até à exploração petrolífera na zona económica exclusiva, entre outros.”

O primeiro-ministro disse ainda acreditar que será possível fazer a economia do país crescer a dois dígitos, na sequência de grandes investimentos em infra-estruturas, caso da modernização e expansão do aeroporto internacional de São Tomé e da construção de um porto de águas profundas, projectos que estão a ser analisados com o apoio da cooperação chinesa. (Macauhub)

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