Governo de Moçambique pretende criar Zona Económica Especial no bairro da antiga Textáfrica

25 September 2019

O bairro da antiga Sociedade Algodoeira de Portugal (Soalpo), mais tarde Textáfrica – Sociedade Têxtil de Vila Pery, em Chimoio, a capital provincial de Manica, vai ser transformado em Zona Económica Especial, anunciou o primeiro-ministro de Moçambique durante um encontro com antigos trabalhadores da fábrica têxtil paralisada há mais de 20 anos.

A ideia de transformar o bairro em zona franca industrial visa, segundo Carlos Agostinho do Rosário, criar condições para que ocorram investimentos nacionais e estrangeiros que possibilitem o aparecimento de empresas e consequente criação de emprego para os habitantes locais, em especial os jovens, alguns dos quais são descendentes de antigos trabalhadores da empresa.

O primeiro-ministro, citado pelo matutino Notícias, anunciou que todos os empreendimentos industriais, comerciais e de outra natureza que forem implantados na futura Zona Económica Especial da Soalpo ficarão isentos de impostos e direitos aduaneiros na importação de equipamentos.

Na ocasião, Carlos Agostinho do Rosário anunciou que o Governo já pagou um milhão de dólares ao Banco Internacional de Moçambique (BIM), montante que a Textáfrica tinha como dívida com esta instituição financeira, resultante de um crédito contraído com garantia composta pelas casas onde actualmente residem os antigos trabalhadores.

Em Julho passado o Presidente de Moçambique anunciou estar o Governo à procura de soluções para rentabilizar as instalações da Textáfrica, tendo mesmo admitido a possibilidade de mudança da actividade, a fim de dar uma utilização prática às instalações.

A fábrica tem sido alvo ao longo dos anos de uma série de anúncios de intenções por parte de responsáveis provinciais e nacionais.

Em Fevereiro de 2019, o governador provincial de Manica, Manuel Rodrigues, afirmou que empresas sul-africanas ligadas ao sector têxtil, que não identificou, manifestaram interesse em recuperar a fábrica, tendo mesmo chegado a visitar as instalações da têxtil, em tempos uma das maiores fábricas do sector no continente africano.

Em Fevereiro de 2018, o primeiro-ministro de Moçambique, Carlos Agostinho do Rosário, disse ter-se reunido com o governo provincial, gestores e outros intervenientes no processo, “para compreendermos a situação e tomarmos as medidas que se afigurem pertinentes para reanimar o monstro adormecido, no sentido de que venha a laborar e criar emprego.”

Em Abril de 2016, o então governador provincial de Manica Alberto Mondlane anunciou que o governo central estava a efectuar estudos no sentido de repor em funcionamento a Textáfrica.

A paralisação de duas fábricas, Textáfrica e a Empresa Moçambicana de Malhas (EMMA), ambas de um mesmo grupo português, fez com que a cultura do algodão se tenha reduzido naquela parcela de Moçambique, tendo a sua falência tido como consequência o despedimento de mais de três mil trabalhadores.  (Macauhub)

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