Economia de Angola manterá contracção em 2019 e 2020

25 October 2019

Angola voltará a crescer em termos económicos apenas em 2021, ano em que o seu Produto Interno Bruto deverá registar uma taxa positiva de 2,4%, segundo as previsões da Economist Intelligence Unit (EIU), no seu mais recente relatório sobre o país.

As previsões da EIU para o ano prestes a findar apontam para uma contracção de 3,6%, que abrandará para 1,9% em 2020, antes de regressar a taxas positivas no ano seguinte e chegar a 2024, último ano do período em análise, a um crescimento de 6,2%.

Todas estas variações estão centradas tanto na evolução dos preços do barril como na sua produção de petróleo, que no período de Julho a Setembro de 2019 caiu 26 mil barris por dia face ao período de três meses terminado em Junho, segundo fontes secundárias, para uma média de 1,394 milhões de barris por dia.

Na parte do relatório dedicado ao crescimento económico, os analistas da publicação referem que as perspectivas para Angola não são boas, com uma previsão de quatro anos consecutivos de contracção económica, decorrente da quebra da produção petrolífera devido ao esgotamento de alguns campos e à ausência de investimento na prospecção de outros ou na exploração de campos considerados marginais.

Depois de recordar que Angola não está sequer a produzir petróleo até ao limite imposto pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo, o relatório afirma que o regresso ao crescimento decorrerá do ocorrido nos sectores agrícola, mineiro, construção civil, indústria transformadora e serviços, assim que as condições de concessão de crédito melhorem e o Governo decidir apoiar a economia não-petrolífera de forma decidida.

Na sequência do lançamento de um concurso público internacional para a concessão de 10 blocos petrolíferos nas bacias do Namibe e de Benguela, com uma área conjunta de mais de 55 mil quilómetros quadrados, as actividades de exploração em águas profundas e ultra-profundas deverá ter início em breve, se bem que os resultados devam ser visíveis apenas em 2024.

A taxa de inflação deve situar-se em 16,9% em 2020, uma redução de menos de um ponto percentual face à estimativa de 17,8% para 2019, facto que decorrerá da continua depreciação da moeda nacional, o kwanza, dos baixos preços do petróleo e de menor quantidade exportada o que origina menor quantidade de divisas e a introdução dia 1 de Outubro do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA).

A tendência de desaceleração da velocidade de depreciação do kwanza, que deverá ocorrer a partir de 2021, irá causar um menor aumento dos preços, devendo a taxa de inflação baixar para 10,4% em 2024, segundo as previsões da Economist Intelligence Unit. (Macauhub)

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