FMI prevê recuperação forte da economia de Moçambique em 2020

14 November 2019

A economia de Moçambique deverá vir a registar uma forte recuperação em 2020, a que associa uma taxa de inflação baixa, previu uma missão do Fundo Monetário Internacional que, chefiada por Ricardo Veloso, permaneceu em Maputo de 6 a 12 de Novembro para avaliar os principais indicadores e a evolução do país.

O comunicado divulgado no final da missão prevê que o Produto Interno Bruto de Moçambique venha a ter um crescimento real de 5,5% em 2020, que compara com 2,1% previstos para o ano prestes a findar.

A previsão anunciada decorre dos esforços de reconstrução pós-ciclones, da recuperação na agricultura e do estímulo económico de um relaxamento gradual adicional das condições monetárias e da regularização dos pagamentos internos em atraso aos fornecedores.

“O sector da construção e outras actividades deverão também beneficiar dos investimentos nos grandes projectos de gás natural liquefeito, devendo a inflação permanecer baixa, com uma ligeira subida para 5,0% no final de 2020, em relação aos 3,0% no final de 2019”, pode ler-se.

O comunicado adianta que os membros da missão saúdam os esforços contínuos da Procuradoria-Geral da República para responsabilizar as pessoas envolvidas na questão das dívidas ocultas.

Na sequência da revelação das dívidas ocultas pelo Wall Street Journal, em 2016, o FMI suspendeu um programa de ajuda financeira a Moçambique, no que foi acompanhado pelos restantes países e organizações multilaterais que prestavam apoio directo ao Orçamento de Estado do país.

A instituição financeira internacional defendeu sempre a responsabilização das pessoas envolvidas nos controversos empréstimos e emissão de euro-obrigações de três empresas públicas no valor de mais de dois mil milhões de dólares, avalizados pelo Estado à revelia do parlamento.

O então ministro das Finanças Manuel Chang encontra-se detido na África do Sul, onde aguarda o desfecho de dois pedidos de extradição para responder perante a justiça, apresentados em primeiro lugar pelos Estados Unidos e, posteriormente, por Moçambique. (Macauhub)

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