FMI prevê que dívida pública de Angola desça para 69,4% do PIB em 2024

27 December 2019

A dívida pública total de Angola deverá situar-se em 69,4% do Produto Interno Bruto em 2024, que compara com uma previsão de 110,9% do PIB em 2019, segundo um quadro constante num relatório pormenorizado do Fundo Monetário Internacional recentemente divulgado em Washington.

Esse mesmo quadro revela que Angola deverá terminar o ano em curso com uma dívida pública interna de 34,4% do PIB e externa de 76,5% do PIB, a maior parte da qual a médio e longo prazo, percentagens essas que deverão cair para 12,9% e 56,5%, respectivamente, no já mencionado ano de 2024.

“A dívida de Angola permanece sustentável, mas o rácio da dívida pública face ao Produto Interno Bruto aumentou substancialmente e os já de si elevados riscos aumentaram ainda mais”, escrevem os peritos do Fundo Monetário Internacional (FMI) no relatório pormenorizado relativo à segunda revisão do programa de estabilização macro-económica em curso, que conta com um apoio financeiro de 3,7 mil milhões de dólares.

O documento refere que o ano 2019 deverá terminar com Angola a ter um rácio da dívida pública total de 110,0%, “reflectindo principalmente a rápida depreciação da moeda nacional no último trimestre”, com os técnicos do FMI a escreverem que “como os preços globais do petróleo devem continuar baixos, os indicadores do peso da dívida vão manter-se elevados.”

A dívida angolana “continua altamente vulnerável a choques macro-económicos e orçamentais, com os principais riscos para a sustentabilidade da dívida a virem de uma depreciação da taxa de câmbio mais rápida do que o previsto, mais declínios nos preços ou na produção petrolífera, uma possível deterioração no acesso aos mercados financeiros e à materialização de riscos vários, incluindo de dívida garantida” pelo Estado.

Na análise ao programa, datada de Dezembro, mas que resulta das reuniões entre o FMI e as autoridades angolanas, em Luanda, em Novembro, o FMI afirma que “há múltiplos esforços em curso para lidar com os riscos da sustentabilidade da dívida.”

O cenário base do Fundo aponta para um declínio da dívida para 69,4% do PIB em 2024, cinco pontos percentuais acima do objectivo de médio prazo, que é sustentado pelas receitas petrolíferas (dois terços do total), “o que ajuda a limitar a dinâmica da dívida às flutuações cambiais.”

Além disso, acrescenta o relatório, esta previsão de redução do rácio da dívida pública é apoiada “pelo contínuo esforço orçamental e por um crescimento económico maior, suportado por reformas estruturais e uma taxa de câmbio mais competitiva.” (Macauhub)

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