Empresas da China retomam investimento no Brasil em 2019

31 December 2019

Os investimentos efectuados por empresas da China no Brasil voltaram a aumentar em 2019, depois de um período de arrefecimento em 2018, revela um levantamento efectuado pela sociedade de consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) a pedido da publicação electrónica brasileira Poder360.

O levantamento revelou que os investimentos chineses atingiram este ano 1,9 mil milhões de dólares, montante muito superior aos 283,8 milhões de dólares aplicados em 2018, sendo que ao longo dos últimos 10 anos ascenderam a 55 mil milhões de dólares em 83 operações.

A maioria dos investimentos efectuados pelas empresas chinesas no Brasil está centrada em áreas de energia e infra-estruturas, fruto do interesse estratégico da potência mundial em expandir as suas operações na América Latina.

De destacar este ano o negócio envolvendo a CPFL Brasil, SGPS controlada pelo grupo chinês State Grid, que investiu mil milhões de dólares na compra de uma participação de 46,7% da CPFL Energias Renováveis, a empresa líder no sector no país.

Em segundo lugar surge o grupo China General Nuclear Power Corporation (CGN) que pagou 783 milhões de dólares pela totalidade dos activos de energia solar e eólica já em funcionamento do grupo italiano Enel no Brasil.

Por último, em termos de valor, surge o grupo EDP – Energia de Portugal, cujo principal accionista é o grupo China Three Gorges, com 23,27%, que pagou 101 milhões de dólares para comprar 100% da Litoral Sul Transmissora de Energia à empresa chinesa CEE Power e à brasileira Brafer.

O investimento das empresas da China no Brasil teve um pico de 14 mil milhões de dólares e 13 operações em 2017, tendo no ano seguinte baixado para 300 mil dólares e sete operações.

O sócio da PwC Leonardo Dell’Oso disse à Poder360 que, embora o investimento chinês no Brasil tenha oscilado ao longo dos anos, a queda verificada em 2018 foi particularmente expressiva, tendo-se ficado a dever à incerteza relativa ao resultado das eleições presidenciais brasileiras, que terminaram com a vitória do candidato Jair Bolsonaro.

No decurso da campanha eleitoral, Bolsonaro afirmou que os chineses estavam a “comprar o Brasil”, mas após a tomada de posse “houve um grande esforço de aproximação diplomática por parte da China, que se manteve paciente”, segundo o coordenador do Núcleo de Estudos Brasil-China da Fundação Getulio Vargas, Evandro Menezes de Carvalho.

Em Outubro, o Presidente Jair Bolsonaro efectuou uma visita oficial à China no decurso da qual convidou as empresas chinesas a participarem no grande leilão do pré-sal, que ocorreu no mês seguinte.

Posteriormente o governo chinês anunciou dispor de 100 mil milhões de dólares para financiar um novo programa de investimentos no Brasil, principalmente de construção de infra-estruturas. (Macauhub)

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