Banco estatal de Angola recorre aos tribunais para recuperar crédito malparado

7 January 2020

O estatal Banco de Poupança e Crédito (BPC) de Angola está a organizar processos para recuperação do crédito malparado por via judicial, escreveu segunda-feira o Jornal de Angola citando a instituição financeira.

O jornal escreveu ainda que a decisão de avançar para a via judicial decorre do facto de o BPC ter conseguido recuperar apenas 47 mil milhões de kwanzas em 2019, ou 4,2% da carteira de 1118 mil milhões de kwanzas (2,3 mil milhões de dólares) em dívida.

Ao reagir, por escrito, ao processo de Avaliação da Qualidade dos Activos (AQA) realizada pelo Banco Nacional de Angola de Abril a Dezembro últimos, o BPC revelou que, na constituição dos processos judiciais, tem enfrentado desafios relacionados com a formalização contratual dos créditos e das garantias, algo que contribuiu para os resultados menos favoráveis da avaliação.

O banco adiantou que relativamente ao crédito malparado recuperado no ano findo 841,1 milhões de kwanzas ficaram a dever-se à campanha Renascer, uma operação dirigida ao segmento de particulares, com a qual o BPC tem intensificado as acções de reestruturação de crédito através da renegociação das condições dos empréstimos.

Em 2018, avança o banco, foi alienado à Recredit um total de 298,7 mil milhões de kwanzas, equivalentes a 26% da carteira de crédito, com o banco a receber, como contrapartida, o valor de 231,1 mil milhões em Obrigações do Tesouro de 24 anos e uma taxa de juro de cupão de 5,00% ao ano.

A capitalização realizada por via da emissão de Obrigações do Tesouro, bem como o saneamento da carteira de crédito com títulos com o mesmo perfil “acabaram, na prática, por não resolver o problema da insuficiência de capital e do défice de liquidez estrutural, devido ao facto destes títulos terem um valor de mercado situado “muito abaixo do valor nominal e não serem instrumentos suficientemente líquidos.”

O BPC também anunciou o decurso da negociação do segundo pacote de crédito, que deverá culminar com a passagem de cerca de 80% do crédito malparado para a Recredit, como parte dos esforços para sanear as finanças do banco.

O Banco de Poupança e Crédito tem por accionistas o Estado angolano, representado pelo Ministério das Finanças (75%), o Instituto Nacional de Segurança Social (15%) e a Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas (10%). (Macauhub)

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