2020 deverá ser o quarto ano consecutivo de recessão para Angola, EIU

9 January 2020

As perspectivas de crescimento económico de Angola mantêm-se pouco animadoras, sendo de prever que 2020 venha a ser o quarto ano consecutivo de recessão, consequência da evolução registada no sector petrolífero, afirmam os analistas da Economist Intelligence Unit (EIU) no seu mais recente relatório sobre o país.

A previsão para a evolução do Produto Interno Bruto para o ano agora iniciado é de uma contracção de 1,3%, inferior em dois pontos percentuais à estimativa de 3,3% para o ano de 2019, sendo que a economia de Angola só deverá voltar a crescer em 2021, ano em que está prevista uma taxa positiva de 2,3%.

Os anos seguintes do intervalo analisado neste relatório – 2019 a 2024 – deverão ter um crescimento mais sustentado, com variações positivas de 3,2% em 2022, 3,5% em 2023 e 5,9% em 2024.

A previsão para este ano baseia-se no continuado declínio da produção petrolífera, estimada pelo governo em 1,389 milhões de barris por dia em 2019, inferior mesmo ao limite máximo de 1,481 milhões de barris por dia decidido pelos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), devido ao esgotamento de alguns dos poços e à ausência de investimento na prospecção nos anos mais recentes.

A redução da produção de petróleo e, consequentemente, da exportação fará com que as receitas fiscais continuem a diminuir, reduzindo a capacidade do governo em efectuar despesa, a que se associam condições mais rígidas na concessão de crédito à economia dificultando, dessa forma, o consumo e o investimento.

O regresso a taxas de crescimento positivas deverá decorrer, segundo a EIU, do provável aumento da produção dos sectores não-petrolíferos da economia, como sejam agricultura, minas, construção civil, indústria transformadora e serviços, à medida que a política monetária perca alguma da rigidez actual e o governo continue a apoiá-los como forma de acelerar a diversificação económica.

O crescimento mais significativo do PIB previsto para 2024 resulta do provável aumento da produção petrolífera decorrente do lançamento em Outubro de 2019 do primeiro leilão de concessões petrolíferas desde 2011, em águas profundas e ultra-profundas.

O relatório da EIU afirma como positivas as movimentações existentes no sentido de atrair mais investimento estrangeiro, mas reafirma que o controlo que a classe política tem sobre a economia, com a resistência a alterações no sentido de aumentar a transparência, continuará a ser uma barreira à introdução de reformas estruturais. (Macauhub)

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