Banco de Moçambique preocupado com efeito do COVID-19 na economia do país

4 March 2020

O novo coronavírus COVID-19 representa uma ameaça para a economia de Moçambique devido às relaçoes económicas e comerciais que o país tem a China, epicentro do surto, disse terça-feira em Maputo o administrador do Banco de Moçambique, Jamal Omar, durante um seminário sobre a conjuntura macro-económica do país.

“O que estamos a observar é que o efeito do coronavírus em Moçambique pode ser visto através da relação que o país tem com a China e o resto do mundo. Com a China temos um nível de importações de cerca de 12% e o conjunto de bens que importamos tem efeito na evolução dos preços domésticos” disse o administrador do BM.

Omar advertiu que se a epidemia do COVID-19 se prolongar por mais tempo, o impacto será grande na China, bem como em outros países, mas bem maior em Moçambique, “caracterizando-se pela evolução em alta dos preços domésticos e também a queda das exportações para a China particularmente, tratando-se de um dos maiores consumidores da matérias-primas.”

“As nossas exportações podem reduzir-se porque a China é um grande parceiro na nossa economia e é uma potência mundial que consome a maior parte dos produtos do mercado internacional” alertou o administrador, citado pela agência noticiosa AIM.

Os principais bens e produtos importados da China que sofrem apreciação de preço são essencialmente materiais de construção, vestuário e quinquilharias, sendo que do ponto de vista das exportações o nível continua relativamente mais baixo com cerca de 9,0% e basicamente concentrado nos minérios.

O receio do impacto do vírus na economia de Moçambique surgiu 24 horas depois de o balanço mundial da epidemia do novo coronavírus ter ultrapassado a marca de três mil mortos, ao mesmo tempo que aumentam os casos de contágios na Itália e na Coreia do Sul. (Macauhub)

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