COVID-19 causa défice orçamental de 5000 milhões de dólares em Macau

6 March 2020

As diversas medidas decididas pelo governo de Macau para apoiar as pequenas e médias empresas e a população do território deverão causar um défice orçamental de 40 mil milhões de patacas (5 mil milhões de dólares), disse quinta-feira o secretário para a Economia e Finanças.

Lei Wai Nong disse ainda no decurso da conferência de imprensa diária sobre a evolução em Macau do COVID-19 estar fora de questão o pagamento de um segundo cheque de “partilha da riqueza” este ano, uma vez que o governo irá despender muito dinheiro para financiar as medidas de apoio a empresas e residentes, bem como outras medidas destinadas a fazer reviver a economia do território.

Em finais de Janeiro, o secretário Lei anunciou que o pagamento do cheque anual seria este ano antecipado para Abril, como uma das medidas para ajudar a economia a recuperar do impacto sofrido com o surto de COVID-19 e das medidas que foram postas em prática a fim de evitar a sua propagação.

Desta forma, haverá apenas um cheque no valor de 10 mil patacas (1250 dólares) para residentes permanentes e de 6 mil patacas (750 dólares) para não-residentes, medida que terá um custo estimado em 7,1 mil milhões de patacas (887,5 milhões de dólares).

Lei Wai Nong recordou que a reserva financeira de Macau ascende actualmente a 0,57 biliões de patacas, montante que ele descreveu como o dinheiro que foi acumulado por todos em Macau nas últimas duas décadas desde que a administração de Macau regressou à China.

O secretário voltou a recordar o conjunto de medidas de apoio ao surto de COVID-19, como sejam a atribuição a cada residente de Macau de um cartão de consumo electrónico, com o valor nominal de 3000 patacas, para ser usado dentro de um período de três meses, mediante a dedução do valor nele inserido, em restaurantes, recintos de venda a retalho, centros comerciais e outros estabelecimentos, esperando-se que, através deste cartão, seja impulsionado o consumo local e dinamizada a procura.

O cartão de consumo electrónico tem como seus destinatários os residentes permanentes e não-permanentes de Macau, prevendo-se que a despesa pública envolvida ronde 2,2 mil milhões de patacas.

Haverá ainda a isenção do pagamento das tarifas de água e de energia eléctrica pelas unidades habitacionais/subvenção do pagamento de tarifas de água e de energia eléctrica para as unidades habitacionais no período de Março a Maio, estando o governo a prever um gasto público de 55 milhões de patacas, no que respeita à subvenção das tarifas de água, e de 240 milhões de patacas relativamente à electricidade.

A mesma medida será aplicada a estabelecimentos comerciais, não sendo no entanto aplicável aos contratos de água e de electricidade dos casinos, dos estabelecimentos hoteleiros de categoria igual ou superior a três estrelas e das entidades governamentais.

Esta medida tem um gasto público estimado de 18 milhões de patacas, no que respeita à subvenção das tarifas de água, e de 240 milhões de patacas relativamente à electricidade. (Macauhub)

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