Governar sem olhar para as estatísticas, defende ministro das Finanças de Cabo Verde

26 March 2020

O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, afirmou terça-feira que nos próximos três meses a governação de Cabo Verde terá de ser feita sem olhar para estatísticas e rácios, devendo a atenção estar concentrada nas pessoas.

Olavo Correia procedia ao balanço da reunião do Conselho de Concertação Social, que culminou com a assinatura de um acordo tripartido com medidas de natureza fiscal, financeira e de segurança social, para mitigar os efeitos da pandemia do Covid-19, proteger o emprego e as empresas e manter a economia a funcionar.

O ministro adiantou que tudo que está a ser adoptado, em termos de medidas de políticas públicas, utilizando recursos dos contribuintes, com o objectivo único de garantir emprego e acesso ao rendimento para que as famílias possam ultrapassar essa fase difícil, que classifica de “tsunami económico”, com o menor sofrimento possível.

“Como sabem, o cenário mais optimista que temos é de uma recessão económica em 2020, à volta de 4% e de uma redução de cerca de 500 mil turistas, aumento do desemprego para valores à volta de 18% a 20%, mais do duplicar o desemprego que temos em Cabo Verde, e o aumento de um défice orçamental acima de 10%, mas, sobretudo, para uma redução da receita pública à volta de 18 mil milhões de escudos”, precisou.

E porque esse montante corresponde a quase metade do orçamento em termos de receita, indicou que o executivo vai apresentar um orçamento rectificativo e estabelecer novas prioridades para os investimentos públicos, por forma a garantir que nos próximos três meses as famílias tenham emprego e rendimento.

Entretanto, Kelly Ferreira, do gabinete jurídico do Sindicato da Indústria, Comércio e Turismo de Cabo Verde, disse à agência noticiosa Lusa que vários hotéis da ilha do Sal já fecharam as portas, estando-se a aguardar a decisão oficial do grupo Meliá e do Hotel Riu.

Mesmo com a suspensão temporária das actividades, a advogada assegurou que os hotéis estão a garantir a manutenção dos postos de trabalho e o pagamento de 70% do salário, conforme a medida aprovada na reunião de terça-feira do Conselho de Concertação Social.

O Sal, com quase 40 mil habitantes, é a ilha mais turística do arquipélago cabo-verdiano, tendo em 2019 registado 45,5% do total das entradas dos cerca de 820 mil turistas.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas cabo-verdiano, a ilha do Sal tinha 31 estabelecimentos hoteleiros em 2017, representando 11,3% do total nacional. (Macauhub)

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