Moçambique procura soluções para colocar castanha de caju no mercado

1 April 2020

O Instituto Nacional do Caju (Incaju) de Moçambique está à procura de mercados alternativos, incluindo o doméstico, para ultrapassar o problema criado pelo governo da Índia, que aumentou a sobretaxa de importação da amêndoa de caju de 45% para 70%, disse um quadro do instituto.

Lúcia António, chefe da repartição de Indústria no Incaju, disse ao matutino Notícias, de Maputo, que a indústria moçambicana de caju está a atravessar momentos difíceis devido àquela decisão, sobretudo pelo facto de a Índia, o principal mercado e maior processador mundial (cerca de um milhão de toneladas por ano), ser um dos principais destinos do produto moçambicano.

“Para minimizar o impacto da redução das exportações moçambicanas na economia do país, o Incaju está, na busca por outros mercados, a promover a utilização da castanha na indústria alimentar, para a produção de farinha, leite e manteiga, entre outros produtos, bem como na de cosméticos”, disse.

Além disso, o governo de Moçambique está a procurar avaliar junto do seu congénere da Índia a possibilidade de assinar um acordo comercial extraordinário para a colocação da amêndoa de caju partida naquele mercado, ao abrigo de um regime de quota.

Lúcia António disse ao jornal que a castanha de caju é uma importante fonte de arrecadação de divisas para Moçambique, sendo exportada como matéria-prima e produto acabado.

A título de exemplo, entre 2017 e 2019, foram exportadas em termos acumulados mais de 80 mil toneladas de castanha em bruto, tendo o país arrecadado 116 milhões de dólares, sendo que do total 76% teve como destino a Índia e 24% o Vietname.

No mesmo período foram exportadas 24 mil toneladas de castanha processada que deram origem a uma receita de 155 milhões de dólares.

A amêndoa processada em Moçambique teve como destinos a Europa (36%), Estados Unidos (30%), Líbano (9,0%), África do Sul (9,0%), Vietname (10%) e Índia (6,0%). (Macauhub)

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