Impacto do Covid-19 na economia de Cabo Verde será mais grave do que o previsto pelo FMI

17 April 2020

A previsão de uma contracção económica de 4,0% anunciada pelo Fundo Monetário Internacional para Cabo Verde em 2020 “está já ultrapassada”, podendo os números finais ser “muito piores”, escreveu o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças na sua página na rede social Facebook.

“Esses cenários estão já ultrapassados, sendo que os números, que estão a ser actualizados semanalmente, poderão ser piores”, escreveu Olavo Correia, que garantiu dispor o país de energia suficiente para aguentar o recuperar do choque.”

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que Cabo Verde tenha um crescimento económico negativo de 4% este ano, acelerando para 5,5% em 2021, com a dívida pública a aumentar para 132,5% este ano.

“Os países de recursos não intensivos devem ver o crescimento abrandar de 6,2% para 2,0% e, dentro deste grupo, os países dependentes do turismo, como Cabo Verde, São Tomé e Príncipe ou as Ilhas Seicheles, deverão passar por uma quebra severa, com o PIB a contrair-se 5,1% depois de ter crescido, em média, 3,9% em 2019”, diz o Fundo.

“A África a sul do Saara está a enfrentar uma crise económica e sanitária sem precedentes”, lê-se no relatório sobre as Perspectivas Económicas Regionais da região, este ano inteiramente dedicado aos efeitos da Covid-19 no continente.

Num quadro de incerteza ainda maior que o habitual, o FMI antecipa que aquela região tenha um crescimento negativo de 1,6%, o maior de que há registo e 5,2 pontos percentuais abaixo das previsões de Outubro, mas antecipa que o continente volte ao crescimento em 2021, vendo o PIB expandir-se, em média, 4,1%. (Macauhub)

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