Ilha de Hengqin tem um papel importante no relacionamento da China com os países de língua portuguesa

A ilha de Hengqin irá contribuir para a resolução do problema da falta de espaço e de recursos em Macau, permitindo um melhor desempenho do seu papel de plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, afirma o governo de Macau nas Linhas de Acção Governativa para 2020.

“Serão aproveitadas as vantagens que decorrem da possibilidade de serem efectuados registos de embarcações em Macau, será explorada, de forma coordenada com as outras cidades da zona da Grande Baía ou outras regiões do Interior da China, a possibilidade de cooperação marítima, ou no âmbito das pescas, com os países de língua portuguesa, transformando Hengqin numa plataforma relevante para o estabelecimento de parcerias no âmbito da cooperação marítima entre a China e aqueles países”, pode ler-se.

O documento, que contém 43 menções aos países de língua portuguesa e mais cinco específicas à língua portuguesa, adianta que irá ser desenvolvido o comércio digital entre a China e os países de língua portuguesa e o comércio electrónico transfronteiriço, de modo a que Macau se integre na cadeia de valores do comércio nacional.

“Construiremos o centro internacional para o comércio entre a China e os países de língua portuguesa, o qual contribuirá para um bom desempenho de Macau enquanto plataforma de actividades comerciais entre as partes”, afirma o executivo de Macau no documento apresentado segunda-feira na Assembleia Legislativa.

O governo de Macau menciona nesta sua proposta o desenvolvimento de uma indústria financeira moderna e na necessidade de construir uma plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa.

“Estaremos ao serviço da zona da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e da construção da iniciativa Faixa e Rota para promoção, inovação e desenvolvimento de tecnologias no sector financeiro, iremos acelerar a construção das infra-estruturas financeiras, corpóreas e incorpóreas, e aperfeiçoar o regime jurídico relativo ao sector financeiro, procuraremos um maior alargamento das restrições à entrada de instituições bancárias e seguradoras, entre outras, com vista a implementar uma livre circulação de capitais entre Hengqin e Macau”, pode ler-se.

O documento prossegue afirmando que o governo pretende construir um centro de liquidação transfronteiriço em Renminbi e estudar a possibilidade de criação do mercado de bolsa denominado em Renminbi, a fim de impulsionar o desenvolvimento da indústria financeira moderna.

Serão aproveitadas as vantagens de Macau como zona aduaneira autónoma, de plataforma de serviços para a cooperação financeira e comercial entre a China e os países de língua portuguesa e da sua rede de ligação ao exterior, em conjugação com as vantagens de Hengqin em termos da existência de espaços e recursos, para reforçar as funções de abertura ao exterior favorecendo o estabelecimento de contactos entre o Interior da China e os países ou regiões abrangidas pela iniciativa Faixa e Rota, designadamente os países de língua portuguesa e outros países latinos, contribuindo para a plena abertura do país ao exterior.

O intercâmbio cultural entre a China e os países de língua portuguesa não é esquecido, indo o governo de Macau promover na ilha de Hengqin o desenvolvimento da indústria cinematográfica e das indústrias culturais e criativas, com exploração e exposição dos elementos culturais de Macau inerentes à sua longa história de ponto de encontro cultural entre o Oriente e o Ocidente.

“Iremos aproveitar, plenamente, o papel de Macau como plataforma de intercâmbio e cooperação desportiva entre a China e os países de língua portuguesa para desenvolvermos a indústria do desporto e lazer”, adianta o documento contendo as Linhas de Acção Governativa para 2020. (Macauhub)

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