Indústria turística fomenta crescimento do sector dos serviços de Macau

8 April 2016

Macau, cujo sector dos serviços está em franco crescimento apoiado pela indústria turística, pode ser a plataforma ideal para os investidores que queiram entrar no mercado da China continental, afirmou o presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) de Macau.

Jackson Chan recordou, em entrevista à revista em língua inglesa Macao, que o território está-se a transformar num centro turístico e de entretenimento de nível mundial, estando a promover, em simultâneo, uma diversificação económica moderada, através do desenvolvimento do sector de convenções e exposições, medicina tradicional chinesa e indústrias culturais e criativas, entre outros.

“Em 2014, as receitas dos sectores não directamente relacionados com o jogo – comércio a retalho e por grosso, hotelaria, alimentação e bebidas, construção e financeiro – atingiram 190 mil milhões de patacas (cerca de 24 mil milhões de dólares) que compara com uma receita do jogo no valor de 360 mil milhões de patacas”, disse o presidente do IPIM.

A conclusão de diversos empreendimentos turísticos também ajudaram a acelerar o desenvolvimento de sectores relacionados e criaram oportunidades para outros sectores emergentes, caso das indústrias ambientais, culturais e criativas, prosseguiu.

Chan chamou a atenção para o facto de Macau dispor de um acordo de parceria económica CEPA com a China, o que faz com que os produtos e serviços com origem no território estejam isentos de taxas alfandegárias e mencionou uma revisão recente desse acordo que aumentou para 153 o número de sectores abrangidos.

“Empresas dos países de língua portuguesa podem montar fábricas em Macau para exportação dos respectivos produtos para o mercado da China continental a fim de beneficiarem do tratamento preferencial que lhes é concedido ao abrigo do acordo CEPA”, salientou o presidente do IPIM.

Relativamente aos países de língua portuguesa, Jackson Chan referiu a possibilidade de produtos e serviços desses países virem a ser expostos num certame próprio, deixando de estar integrados na Feira Internacional de Macau (MIF).

Chan recordou que esses produtos e serviços têm vindo a ser apresentados ao público no âmbito da MIF, representando desde a sua inclusão no certame uma mais-valia para a principal feira comercial de Macau.

A primeira vez que tal aconteceu, na 20.ª edição da MIF (sigla em inglês por que é comummente conhecida a Feira Internacional de Macau), a exposição de produtos e serviços dos países de língua portuguesa foi pensada ao abrigo do conceito “uma exposição dentro de uma exposição”, ocupando uma área de 2 mil metros quadrados.

Essa exposição atraiu 150 empresas dos países de língua portuguesa de diversos sectores de actividade que se deslocaram a Macau a fim de aqui exporem os respectivos produtos e serviços.

“Tendo por base o êxito original, continuámos a incluir a ‘exposição dentro da exposição’ na MIF a fim de enriquecer o conteúdo deste certame, não deixando de parte a possibilidade de esses produtos e serviços poderem vir um dia a ser mostrados aos profissionais e ao público em geral num certame que lhes seja reservado”, adiantou o presidente do IPIM.

Jackson Chan mencionou igualmente o papel que o instituto a que preside tem vindo a desempenhar na aproximação comercial e económica entre a China e os países de língua portuguesa, concretamente através dos três centros – Centro de Serviços Comerciais para as Pequenas e Médias Empresas da China e dos Países de Língua Portuguesa, Centro de Distribuição de Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa e o Centro de Convenções e Exposições para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

O Centro de Exposição dos Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa em Macau foi inaugurado no dia 31 de Março passado numa zona central de Macau, tendo desde o início cerca de 700 produtos alimentares em exposição vindos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste, incluindo alimentos naturais, petiscos, enlatados, café e bebidas alcoólicas, entre outros.

Em comunicado, o IPIM informa que o Centro de Exposição dos Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa ocupa dois andares de um edifício com uma área coberta de 390 metros quadrados.

A inauguração do espaço, que ocupa dois andares de um edifício com uma área coberta de 390 metros quadrados, seguiu-se ao lançamento, a 1 de Abril de 2015, do Portal para a Cooperação na Área Económica, Comercial e de Recursos Humanos entre a China e os Países de Língua Portuguesa (http://www.platformchinaplp.mo).

Na entrevista à revista Macao, Jackson Chan referiu-se à nova estratégia da China conhecida por “Uma faixa, uma rota”, um projecto aberto a todos os países, reafirmando que Macau, devido à sua localização geográfica, dispõe de vantagens únicas para executar essa iniciativa, nomeadamente no que se refere ao relacionamento económico e comercial entre a China e os países de língua portuguesa.

“Mas a localização geográfica de Macau também permite o estabelecimento de relações aprofundadas com os membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático, o fortalecimento da cooperação na região do Delta do Rio das Pérolas e do desenvolvimento da área cujos vértices são Cantão, Hong Kong e Macau”, disse Jackson Chan. (Macao Magazine)

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