Produção agrícola deverá continuar em alta no mundo de língua portuguesa em 2011

21 March 2011

Macau, China, 21 Mar – A produção agrícola deverá continuar em alta este ano no mundo de língua portuguesa, após um ano de 2010 excepcional, em que o Brasil registou uma produção de cereais recorde, de acordo com a Global Information and Early Warning System (GIEWS).

Principal produtor agrícola dos países de língua portuguesa e um dos maiores do mundo, o Brasil registou no ano passado um recorde na produção de cereais, com a de trigo a aumentar 17 por cento em relação a 2009, para 5,9 milhões de toneladas, segundo a GIEWS, organismo da Organização Alimentar e Agrícola, baseada em Roma.

Condições atmosféricas favoráveis permitiram que no ano passado o rendimento da plantação de trigo aumentasse acentuadamente, compensando uma redução da área plantada, adianta a mesma fonte, que cruza dados no terreno com imagens recolhidas por satélite.

As perspectivas são “maioritariamente favoráveis” para as colheitas de Verão deste ano no Brasil, como milho, soja e arroz, adianta.

Este é o cenário no Rio Grande do Sul, onde a sementeira foi adiada devido a chuvas irregulares, mas também noutros estados produtores, como no Paraná, Minas Gerais e Goiás, onde o estado de desenvolvimento da colheita é considerado “de bom a muito bom”.

A área total plantada de milho é estimada em 7,3 milhões de hectares, menos 3,7 por cento do que no ano passado.

É esperado um novo recorde para a soja, de 24,1 milhões de hectares, mais 2,6 por cento do que na colheita do ano passado, a par de uma diminuição ligeira da plantação de arrozal, de cerca de 2,7 milhões de hectares.

Também para Angola, as perspectivas para as colheitas deste ano são “favoráveis”, onde está concluída a plantação de cereais na maioria das regiões, segundo a GIEWS.

No último trimestre de 2010, adianta, Angola registou chuvas “abundantes”, que beneficiaram as províncias do Bié e do Huambo, mas levaram até a perda de colheitas na província do Bengo.

As imagens recolhidas por satélite demonstram “condições de vegetação normais”, refere.

Em 2010, a produção de cereais, principalmente milho, cresceu cerca de 4 por cento, para 1,35 milhões de toneladas – o terceiro ano consecutivo de aumento.

“O contínuo apoio do governo ao sector agrícola providenciando meios de produção, incluindo sementes e adubos, também contribuiu para a melhor cultura de cereais”, a par de condições climatéricas propícias nas províncias do Cuanza Sul, Huambo e Bié.

Em Moçambique, as condições climatéricas, e em particular a precipitação tem sido favorável na maior parte do país, apesar de algum défice observado a norte, nomeadamente nas províncias do Niassa, Cabo Delgado e Nampula.
Para a colheita de 2010-11, o governo continua a providenciar sementes de milho, arroz, sorgo e soja, para apoiar o sector e procurar aumentar a produtividade.

“Feiras de meios de produção, promovidas pelos gabinetes agrícolas provinciais, contribuíram para melhorar o acesso e disponibilidade de sementes, utensílios agrícolas e adubos. Além disso, foram providenciados tractores e animais para apoiar a produtividade, principalmente nas províncias centrais e do norte”, adianta a GIEWS.

O ano passado, a produção geral de cereais foi acima da média, embora tenha sido fraca nas regiões do sul. A produção de milho recuou 3 por cento em relação ao recorde de 2009,  diferentes variedades de sorgo aumentaram, enquanto a seca nas zonas costeiras centrais levou a uma queda de 30 por cento na produção de arroz.

Na Guiné-Bissau, a colheita de cereais em 2010 foi favorável, com uma subida de 14 por cento, e as condições de mercado para o caju permitiram um aumento “considerável” das exportações, o que se traduz numa melhoria do rendimento dos agricultores, segundo fontes oficiais citadas pela GIEWS.

Também em Cabo Verde a colheita do ano passado ficou acima da média, com um aumento de cinco por cento em relação a 2010.

Quanto a Timor-Leste, a colheita do ano passado foi igualmente favorável, esperando-se que a produção dos arrozais cresça 7 por cento e a de milho desça ligeiramente, mas ainda assim fique cima da média dos últimos cinco anos. (macauhub)

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