Angola entre os países que mais podem beneficiar da internacionalização do renminbi

5 October 2016

A moeda da China tem estado a atrair países africanos, principalmente depois da inclusão entre as divisas de referência do Fundo Monetário Internacional, com Angola a ser considerado um dos que mais tem a beneficiar com a sua utilização.

O analista Yi Ren Thng, do Centro de Estudos Chineses da Universidade sul-africana de Stellenbosch, afirma que as empresas africanas podem tirar partido de uma maior utilização do renminbi (RMB) nas trocas comerciais com congéneres chinesas, numa altura em que o comércio entre a China e África atinge 180 mil milhões de dólares.

Os exportadores chineses, adianta citando um estudo de 2013 do Hong Kong and Shanghai Banking Corporation (HSBC), podem oferecer até 5% de desconto se os compradores africanos emitirem recibo em RMB, além de que a utilização da moeda chinesa diminui os riscos cambiais associados com a conversão de moedas locais em RMB através do dólar.

As transacções triangulares, adianta o analista, têm sido “prejudiciais” para países como Angola, em que as exportações petrolíferas são a base da economia e que “constantemente enfrentam falta de liquidez em dólares, dada a saída de dólares à luz de preços petrolíferos mais baixos”, como actualmente.

Trocas directamente em RMB “também reduzem os custos de cobertura de risco cambial no caso de contractos de futuros, em que o acordo entre uma empresa chinesa e outra africana sobre produtos a um preço predeterminado num momento futuro específico não incorrem em custos extra de ter de antecipar flutuações USD/RMB”, afirma.

Na África do Sul, maior economia do continente africano, o uso do RMB aumentou 65% entre 2014 e 2015, beneficiando da abertura pelo Banco da China em Joanesburgo, em Julho de 2015, da primeira plataforma de compensação de RMB no continente.

Numa conferência em Lisboa em Setembro, Anselmo Teng, presidente da Autoridade Monetária de Macau, que sublinhou que a RAEM está a estabelecer uma plataforma de compensação de RMB entre China e Portugal, “podendo ser apoiados os procedimentos de internacionalização” da moeda chinesa e a “prestação de facilidades na compensação das transacções económicas e comerciais em RMB entre a China e países de língua portuguesa.”

O potencial de desenvolvimento na utilização transfronteiriça do RMB entre a China e os países de língua portuguesa é muito amplo, dado o actual nível das trocas comerciais, de mais de 98 mil milhões de dólares em 2015, adiantou Teng.

Espera-se que a inclusão do renminbi no cabaz de Direitos Especiais de Levantamento (SDR) do FMI, efectivada a 30 de Setembro numa cerimónia com a presença da directora-geral do Fundo, Christine Lagarde, leve a um aumento das formas de cooperação financeira entre a China e África.

Siddharth Tiwari, director do Departamento de Estratégia, Políticas e Monitorização do FMI, afirmou que a inclusão do RMB, lado a lado com o euro, dólar e iene, reflecte o “crescente papel da China no comércio global, aumento substancial do uso e comercialização do RMB”, ao mesmo tempo que reflecte reformas nos sistemas monetários, de divisas e financeiro da China.

“Esperamos que a inclusão do RMB no cabaz de SDR apoie ainda mais a já crescente utilização e comercialização do RMB internacionalmente”, afirmou Tiwari.

Vários países africanos têm vindo a incluir o RMB nas suas reservas de moeda estrangeira, ao mesmo tempo que mostram interesse na emissão de obrigações denominadas em moeda chinesa, comercializadas nos mercados do país asiático, com custos de emissão mais baixos do que as euroobrigações soberanas, que no caso de Angola têm cupões próximos dos 2 dígitos.

O uso de obrigações em RMB pode facilitar a liquidação de empréstimos chineses a países como Angola, mas também ajudar a financiar o desenvolvimento de infra-estruturas. (Macauhub)

MACAUHUB FRENCH