Câmara de Comércio Angola-China quer estimular parcerias entre ambos os países

18 April 2016

Restaurar a confiança necessária ao estabelecimento de parcerias empresariais é o objectivo da nova Câmara de Comércio Angola-China, que conta nos seus órgãos sociais com figuras de peso da sociedade e negócios angolanos.

A instituição, que dá continuidade à antiga Associação de Amizade Angola-China, criada em 1995, vem agrupar diversas associações de chineses em Angola, comunidade constituída actualmente por cerca de 200 mil indivíduos e pretende estimular parcerias empresariais entre ambos os países.

Além de uma direcção constituída por 27 empresários angolanos e chineses, a Câmara tem como presidente Arnaldo Calado, antigo PCA da Empresa Nacional de Diamantes de Angola (Endiama), como presidente da Assembleia-Geral Paulo Kassoma, antigo presidente da Assembleia Nacional e como um dos seus promotores Carlos Feijó, um dos principais juristas angolanos.

Em entrevista ao Novo Jornal, Calado afirmou que a Câmara “vai funcionar como uma plataforma para os empresários angolanos e chineses”.

“Será bom agrupar estes interesses privados dos chineses aos nossos. Temos vários empresários que infelizmente carecem de fundos, têm espaço e ideias (…) mas faltam-lhes os fundos”, afirmou o responsável da Câmara, referindo-se às linhas de crédito abertas pela China.

“O mais importante no negócio é a confiança. O que não aconteceu até agora. A falta de confiança dos empresários chineses devido a várias situações vai ser minimizada com a Câmara. Os nossos parceiros vão ter a nossa chancela. Não há aqui desconfiança. Isso nos negócios é fundamental. E é coisa que os chineses não tinham antes”, afirmou.

A Câmara agrupa actualmente mais de 200 empresas angolanas e mais de 100 chinesas.

A Câmara tem sete áreas estratégicas constituídas pelos gabinetes da alimentação, agro-indústria e pescas; construção, habitação e infraestrutura; transportes e logística; banca, seguros e mercado de capitais; turismo, habitação e cultura; saúde e educação; água, energia e recursos minerais; inovação, tecnologia de informação e comunicação; comércio, indústria e serviços.

“O nosso tempo é curto, temos que andar depressa. Mais do que o tempo que vamos ter para elaborar os estudos, temos que ter outros elementos. Por exemplo, se um investidor chinês estiver interessado em investir numa fazenda em uma das províncias, temos que contar que este dinheiro vai ter que entrar no BNA, fazer os trâmites todos e são coisas que já não dependem de nós. Como Câmara vamos pressionar”, disse Calado ao Novo Jornal.

“Felizmente temos um ambiente político que nos permite negociar. Não temos os problemas que existem em muitos países. Penso que apesar da crise económica e financeira que assola o mundo inteiro, e Angola também, o ambiente político, legal, das leis que regem os negócios no país é considerado muito bom”, adiantou.

Com o arrastar dos baixos preços do petróleo que tornou ainda mais urgente a diversificação da economia e o “secar” de diversas linhas de financiamento para estímulo à actividade económica, o financiamento chinês tem-se demonstrado cada vez mais importante para Angola.

Para a Economist Intelligence Unit (EIU), a China vai continuar a ser um parceiro importante, o que ficou patente no anúncio, em Fevereiro, de que 5,3 mil milhões de dólares de linhas de crédito chinesas serão aplicados no financiamento de 155 projectos de investimento público em todo o país.

Segundo a EIU no seu último relatório sobre Angola, o governo de Luanda deverá continuar a dar prioridade ao pagamento de dívidas à China, por forma a assegurar a continuação do crédito chinês. (Macauhub/CN/AO).

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