Angola recebeu 6,9 mil milhões de dólares do Banco de Exportações e Importações da China até 2015

2 May 2017

Angola foi, entre 2000 e 2015, o segundo país africano a que o Banco de Exportações e Importações (Exim) da China mais créditos concedeu, num total de 6,9 mil milhões de dólares, de acordo com analistas do centro de estudos China-Africa Research Initiative, da universidade norte-americana Johns Hopkins.

 

Os analistas adiantaram que Angola continua a necessitar de financiamento chinês e escreveram que as verbas emprestadas a Angola foram apenas superadas pelo crédito concedido por aquele banco estatal à Etiópia, no valor de 7,2 mil milhões de dólares.

 

Os dados de um estudo comparativo das políticas de comércio e financiamento da China e dos Estados Unidos para África indicam que o crédito concedido a Angola representou 11% do total de financiamento do Banco Exim chinês ao continente africano, percentagem idêntica à da Etiópia e superior à do Quénia (10%), Sudão (8%), Camarões (6%) e República Democrática do Congo (5%).

 

Nem Angola nem nenhum país de língua portuguesa surgem na lista das nações que receberam mais crédito do Banco Exim norte-americano, 50% do qual foi para a África do Sul.

 

Em 2015, Angola estava no topo da lista de exportadores africanos para a China, com 16% do total, e era o terceiro maior exportador africano para os Estados Unidos, com 2,9% do total, sendo também o sétimo maior mercado para exportações norte-americanas em África e o oitavo maior mercado para exportações chinesas no continente.

 

“A partir de 2011, no entanto, as importações de petróleo dos EUA provenientes de Angola, como de outros fornecedores, caíram de forma consistente e dramática. As importações chinesas de Angola, por outro lado, cresceram rapidamente entre 2002 e 2011 e mantiveram-se estáveis entre 2011 e 2014, antes de caírem em 2015”, adianta o estudo.

 

O documento produzido por aquele centro de estudos da universidade Johns Hopkins refere que o empenhamento chinês em África “enfatiza as necessidades de infra-estruturas” do continente, sendo o sector da construção civil um dos principais destinos doa verbas emprestadas pelos chineses”, tal como os transportes (estradas, ferrovias, aeroportos, e portos).

 

“A flutuação dos preços das matérias-primas é importante tanto para os Estados Unidos como para a China em África. O petróleo é a principal exportação africana para EUA e China mas, devido à queda no seu preço, o valor do comércio americano e chinês com a África diminuiu nos últimos anos”, adiantam os autores – Janet Eom, Jyhjong Hwang, Lucas Atkins, Yunnan Chen, e Siqi Zhou.

 

Números compilados recentemente pela agência financeira Reuters indicam que o financiamento da China a Angola, incluindo os mais recentes créditos do Banco Exim e de outras instituições financeiras, já ascende a 20 mil milhões de dólares, apoio que tem vindo a tornar-se cada vez mais necessário devido à quebra acentuada das receitas petrolíferas ao longo dos últimos anos.

 

O mais recente relatório da Economist Intelligence Unit sobre Angola informa que as “fontes chinesas são predominantes” nos novos empréstimos contraídos pelo país desde Novembro de 2015, no valor de pelo menos 11,5 mil milhões de dólares” e acrescenta que o governo irá continuar a procurar obter financiamento na China. (Macauhub)

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