Quatro anos para Angola ter sistema eléctrico do século XXI

5 March 2012

A capacidade de produção e distribuição de electricidade de Angola vai crescer nos próximos 4 anos, graças a um investimento de 16,5 mil milhões de dólares, para acompanhar a expansão da procura industrial e residencial.

O investimento foi o primeiro grande anúncio do novo ministro das Águas e Energia, João Baptista Borges, que substituiu Emanuela Vieira Lopes, e prevê aumentar a capacidade eléctrica de Angola em 12 por cento, de acordo com o último relatório da Economist Intelligence Unit.

“Os novos planos parecem estar focados fortemente nas áreas definidas pelo governo para desenvolvimento industrial (como Viana, um subúrbio de Luanda)” e menos nas áreas periféricas das grandes cidades que foram afectadas pelos recentes “blackouts”, referem os analistas da EIU.

Angola tem a maior taxa de uso de geradores individuais em todo o continente africano, dadas as limitações do fornecimento de electricidade em muitas zonas.

Nos últimos anos têm vindo a ser lançados investimentos no aumento de capacidade, que começarão a dar os seus frutos já este ano, com a expansão na barragem de Capanda, de 45 megawatts para 260 megawatts, com conclusão prevista para Julho.

O aproveitamento hidroeléctrico de Cambambe, no Cuanza Norte, construído em 1958, começou a ser recuperado e alargado em 2010 e a sua capacidade será expandida para 700 megawatts, com a construção de uma nova central eléctrica e a elevação da barragem.

O esforço financeiro na modernização da barragem será suportado por um fundo alimentado com receitas do petróleo, estando também previsto investimento privado, nomeadamente na construção e exploração de mini-hídricas produtoras de electricidade.

Entre os novos projectos previstos encontram-se Lahuca, cuja potência instalada é de 2 mil megawatts, e Caculo Cabassa.

O estudo sublinha que a maior abundância de electricidade, a preços mais competitivos, pode desencadear investimentos em sectores descritos como grandes consumidores de energia, casos das minas, indústria e agro-indústria.

A EIU salienta a necessidade de investimentos também na modernização da rede de distribuição de electricidade, que é anterior à independência de Angola, em 1975.

De acordo com o governo angolano, 12 mil milhões de dólares do investimento previsto até 2016 será absorvido pelo sistema norte do país, que compreende as províncias do Cuanza Norte, Luanda, Bengo, Malanje Uíge, Cuanza Sul e Zaire.

O programa prevê a reparação dos sistemas e expansão para que a capacidade instalada possa atingir 5 mil megawatts, garantindo o fornecimento de energia fiável e regular a todo o país.

Luanda representa 88 por cento do consumo de energia total de Angola, e as três eléctricas que servem a capital não chegam para satisfazer as necessidades de abastecimento.(macauhub)

MACAUHUB FRENCH