Sector petrolífero angolano com cenário “brilhante”

7 January 2013

O sector petrolífero angolano iniciou 2013 com um cenário brilhante, em que a produção está próxima do nível recorde de 2008, devido ao começo da exploração de um novo poço petrolífero e à ultrapassagem de dificuldades técnicas noutros.

No seu mais recente relatório sobre Angola, a Economist Intelligence Unit refere que o campo petrolífero Plutão, Saturno, Vénus e Marte (PSVM), em fase inicial e cuja primeira carga deverá seguir já este mês, irá acrescentar 150 mil barris de petróleo diários à produção do país.

“O cenário de curto prazo é brilhante”, referem os economistas da Economist.

Operado pela BP, o campo está localizado no nordeste do Bloco 31 do mar angolano e dispõe de uma de uma unidade flutuante de produção, armazenagem e carregamento, com uma capacidade de 1,8 milhões de barris.

Juntamente com a “redução de falhas técnicas” noutros poços petrolíferos, o contributo do PVSM deverá impulsionar a produção angolana para próximo de 1,9 milhões de barris diários em 2013, ao nível dos valores recorde de 2008, de acordo com os cálculos da Economist.

Em Outubro, a produção petrolífera angolana ascendeu a 1,79 milhões de barris, acima dos 1,75 milhões de barris do mês anterior e nível igual à média diária registada ao longo de 2012.

A subida prende-se com o início da produção do poço petrolífero “Pazflor”, com uma produção de perto de 220 mil barris diários, e dos campos satélites “Kizomba D”, que contribuem com perto de 140 mil barris.

Este aumento “modesto” foi permitido pela conclusão de trabalhos de manutenção nalgumas unidades produtivas e “é consistente com a melhoria geral ao longo do ano”, refere o relatório.

Depois de ter atingido um “pico” de 1,92 milhões de barris diários em 2008, a produção angolana recuou continuamente nos anos seguintes, para apenas 1,64 milhões de barris em 2011.

Apesar da subida das perspectivas de produção petrolífera, a Economist mantém a sua previsão de crescimento da economia angolana para 2013, de 8,9%, uma aceleração de 1,9 pontos percentuais em relação a 2012.

O maior ímpeto da economia angolana ficará a dever-se, adianta, ao crescimento da produção petrolífera e ao início da actividade de produção de gás natural liquefeito (GNL).

O projecto de GNL no Soyo, que deveria ter-se iniciado em 2012, vai finalmente ver a luz do dia este ano, segundo garantiu recentemente o presidente da petrolífera britânica BP, Bob Dudley.

Angola é actualmente, a par da Arábia Saudita, o maior fornecedor de petróleo à China, que é também o principal destino das suas exportações.

O documento da Economist, a que o Macauhub teve acesso, prevê que Angola continue nos próximos anos a aprofundar as suas relações com a China, através de “grandes negócios de investimento e comércio, particularmente no petróleo, construção e agricultura”.

Da China deverá chegar também uma expansão de linhas de financiamento e de crédito existentes, a par do Brasil. (macauhub)

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