Emissão de dívida pública de Angola até 2,6 mil milhões de dólares aguardada com expectativa

31 March 2014

Angola pretende tirar partido da receptividade dos investidores financeiros internacionais para captar até 2,6 mil milhões de dólares nos mercados de capitais, a aplicar nomeadamente na construção de infra-estruturas, de acordo com a Economist Intelligence Unit (EIU).

No seu mais recente relatório sobre Angola, a EIU afirma existir actualmente “o interesse de investidores em aumentar a exposição à dívida angolana”, num contexto que permite “ao governo angolano capitalizar o ambiente macroeconómico favorável”, depois de terem sido praticamente eliminados os pagamentos atrasados acumulados em 2008 e 2009.

Em cima da mesa está agora uma nova emissão de obrigações a 20 anos, num valor total de 600 milhões de dólares, já publicamente apresentada pelo governo angolano.

O executivo indicou ainda que pretende usar estes fundos para “para aumentar a capacidade de financiamento do Banco de Desenvolvimento de Angola”, nomeadamente em projectos de infra-estruturas, mas também para permitir ao Banco Nacional de Angola “cumprir requisitos de necessidades de capital”, além de “financiar operações de política monetária e apoiar despesas do orçamento nacional”, refere a EIU.

Numa altura em que Angola é seguida pelas principais agências de notação de risco internacionais, a operação pode, contudo, “sofrer atrasos”, à semelhança da emissão de “euro obrigações”, planeada desde 2009, segundo a EIU.

A venda de “euro obrigações” até 2 mil milhões de dólares foi planeada em 2009, numa altura em que o país enfrentava dificuldades financeiras devido à quebra do preço do petróleo, mas foi sucessivamente adiada, primeiro para 2011 e depois para 2013, esperando-se agora que venha a ocorrer no segundo semestre deste ano.

O recurso aos mercados financeiros internacionais vem somar-se às linhas de crédito de parceiros como a China e o Brasil, que têm permitido lançar projectos de infra-estruturas essenciais ao desenvolvimento de vastas zonas do país.

Abrindo a porta ao investimento em títulos financeiros angolanos, as três principais agências de notação financeira atribuíram em 2010, pela primeira vez, uma notação à dívida soberana de Angola, com a Standard & Poor´s, Fitch Ratings e Moody’s a atribuírem a mesma notação, de B+ no caso das duas primeiras e B1 no caso da última.

A inflação deverá manter-se este ano inferior a 10%, o que acontece pelo segundo ano consecutivo, reflectindo a estabilidade cambial da moeda angolana juntamente com uma política monetária mais consistente. (macauhub)

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