Angolana Sonangol negocia participação directa na portuguesa Galp Energia

21 February 2011

Lisboa, Portugal, 21 Fev – A petrolífera angolana Sonangol quer passar a ter uma participação directa na portuguesa Galp Energia, em vez de através da Amorim Energia, mas as suas orientações estratégicas não passam para já por reforçar o seu peso entre os accionistas.

Segundo a “newsletter” África Monitor (http://www.africamonitor.net), os objectivos da Sonangol face às actuais alterações na estrutura accionista da Galp Energia passam por um compromisso com o empresário português Américo Amorim, tendo em vista a sua saída da sociedade gestora de participações sociais Amorim Energia, através da qual tem uma participação indirecta na Galp.

Manuel Vicente, presidente da Sonangol, e alguns quadros de topo da companhia, estiveram em Portugal em Fevereiro para conduzir as negociações, acompanhados de Carlos Feijó, actual ministro de Estado para os Assuntos Económicos, antes conselheiro jurídico da Sonangol, com conhecimento habilitado do processo.

A 1 de Janeiro de 2011 expirou o acordo de 2006 que estabelecia a estrutura dos accionistas da Galp Energia, podendo os principais accionistas da empresa, ENI (33,34 por cento) e a portuguesa Amorim Energia (33,34 por cento), negociar a venda das suas participações.

A compra da participação da Eni vinha a ser negociada com a brasileira Petrobras, mas no início do mês deu-se a ruptura das negociações.

O director-geral da ENI, Paolo Scaroni, disse à agência noticiosa italiana Ansa que as negociações com a Petrobras terminaram por falta de “acordo sobre os elementos essenciais de uma possível transacção”, e que a empresa não tem pressa em vender a sua participação porque a Galp Energia tem sido “um excelente investimento” que gerou desde 2000 “rendimentos de cerca de mil milhões de euros” para o grupo italiano.

A Galp Energia explora e produz petróleo, mas principalmente produtos refinados, e dispunha, no final de 2009, de reservas de 3,1 mil milhões de barris, estando presente em treze países, entre eles Brasil e Angola.

De acordo com a África Monitor, a parceria via Amorim Energia foi necessária na fase inicial, mas o estatuto de accionista directo é agora mais compatível com o prestígio da companhia e objectivos próximos, entre os quais a entrada na bolsa de Nova Iorque.

A participação da Sonangol na “holding”, além de secundária (45 por cento) é representada por uma “offshore”, “Esperanza”.

Essa participação indirecta representa actualmente perto de 15 por cento do capital da Galp Energia.

A empresa angolana enfrenta, contudo, algumas resistências da parte do empresário português para concretizar o negócio, de acordo com a mesma fonte.

Numa recente entrevista ao jornal Expresso, em Lisboa, Américo Amorim não comentou o estado de relacionamento com os accionistas angolanos da “holding”, mas deu a entender que não irá abdicar facilmente do poder que tem na petrolífera portuguesa.

“O facto de ter expirado o período de indisponibilidade de acções não altera o meu rumo. O meu compromisso com a Galp Energia é de longo prazo. Estou na Galp para ficar. Esta empresa desempenha um papel estratégico, de interesse nacional, que continuarei a defender. É fundamental que todos entendam isso”, disse Amorim. (macauhub)

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