Banco da China em Angola gera expectativa

6 June 2016

A chegada a Angola do Banco da China está a gerar expectativa nos meios empresariais e financeiros da capital angolana, por vir potencialmente facilitar os pagamentos ao exterior, actualmente constrangidos pela falta de divisas.

O governo de Angola autorizou a 13 de Maio o Banco da China – sucursal em Angola a desenvolver a actividade bancária, que em Dezembro de 2012 foi autorizado a abrir um escritório de representação em Luanda, justificando com o desenvolvimento das relações comerciais e económicas sino-angolanas, “que veio exigir uma procura acrescida por serviços financeiros.”

O semanário português Expresso do passado fim-de-semana escreveu que a abertura da sucursal do banco chinês é vista como uma solução facilitadora para o problema da falta de divisas, estando por isso a ser aguardada com expectativa.

A carência de divisas em Angola, relacionada com a quebra das receitas petrolíferas, surge numa altura em que as autoridades chinesas mostram-se empenhadas em difundir o uso do renminbi como meio de pagamentos em África.

Neste processo, Macau pretende, com o apoio do governo central da China, transformar-se numa plataforma bancária de compensação de renminbi, entre a China e os países de língua portuguesa, segundo afirmou em Janeiro Yao Jian, subdirector do Gabinete de Ligação do governo central em Macau.

A falta de divisas é actualmente um dos principais constrangimentos ao crescimento económico em Angola, limitando a liquidez dos bancos locais, dificultando os pagamentos das empresas a penalizando o comércio externo.

O governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Válter Filipe, reconheceu em Maio que a banca do país está a ser colocada “à margem” do sistema financeiro mundial, numa aparente alusão à falta de acesso dos bancos angolanos ao circuito internacional de divisas, situação que “é grave para a prosperidade das nossas famílias.”

A China e Angola assinaram em Agosto de 2015 um acordo oficial que permite a reciprocidade na utilização das moedas de ambos os países, o que foi interpretado pela Economist Intelligence Unit como um resultado da “esperança” angolana de que o maior uso do renminbi diminua a necessidade de dólares.

Para o banco português BPI, este acordo permite “colmatar a falta de dólares”, necessários para pagar as importações, mas o efeito em termos cambiais deverá ser tendencialmente nulo.

A África do Sul, maior economia africana e principal parceiro comercial da China em África, foi o mais recente país a abraçar o renminbi, por ocasião da visita do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, durante a qual os dois países lançaram uma primeira plataforma cambial entre as duas moedas.

Antes, já o Gana, Nigéria, Maurícias e Zimbabué passaram a aceitar o renminbi em pagamentos e reservas e o banco central nigeriano já tem 10% das suas reservas estrangeiras em moeda chinesa.

Em declarações recentes ao sítio ChinaAfrica (http://chinafrica.info/), o economista chinês Qu Hongbin afirmou que “o aumento dos investimentos chineses no estrangeiro – sobretudo em África – é um factor essencial para a internacionalização do yuan.”

Um estudo recente do banco HSBC prevê que, até 2020, o renminbi seja utilizado em metade das trocas realizadas pela China no estrangeiro, quando actualmente rondam 20%.

O FMI, que já tinha decidido incluir o renminbi no seu cabaz de reservas, anunciou recentemente que os países membros da instituição poderão, a partir de Outubro, registar como reservas oficiais activos externos denominados em a moeda chinesa que estejam disponíveis para responder a necessidades financeiras da balança de pagamentos.

Em artigo recentemente publicado no sítio do Council on Foreign Relations (http://www.cfr.org/), o consultor financeiro especialista na África a sul do Saara John Casey defendeu que “já não é certo o domínio do dólar” nesta região e que 2016 será o ano de “solidificação do papel do renminbi em África”. (Macauhub/AO/CN)

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