Banca preparada para oferecer serviços em renminbi na África de língua portuguesa

8 September 2016

A internacionalização do renminbi em trocas transfronteiriças, em que Macau deverá servir como plataforma de compensação, foi antecipada pela banca portuguesa e chinesa, oferecendo um leque de serviços em moeda chinesa às empresas nos países de língua portuguesa.

O aproveitamento da plataforma de Macau, bem como do centro financeiro de Xangai, para estímulo e cooperação entre a China e os países de língua portuguesa foi o tema de uma conferência, organizada pelo banco estatal português Caixa Geral de Depósitos (CGD), que juntou a 5 de Setembro em Lisboa autoridades financeiras das duas regiões chinesas, além de executivos do sector financeiro e jurídico.

Emídio Pinheiro, administrador da CGD, afirmou que o banco público está “bem colocado para dar sentido prático” à promoção das trocas financeiras da China com o mundo de língua portuguesa, dado dispor de uma sucursal em Macau, o Banco Nacional Ultramarino, um escritório em Xangai e presença em sete dos nove países de língua portuguesa.

Pedro Cardoso, presidente da comissão executiva do BNU, sublinhou que a relação da China com os países de língua portuguesa “tem evoluído de forma muito rápida” e que, apesar da “correcção actual” nas trocas devido ao preço das matérias-primas, o investimento chinês nestes países mantém-se “muito relevante”, algum do qual tem passado por Macau, caso do complexo hoteleiro e casino de David Chow em Cabo Verde, avaliado em 300 milhões de dólares.

Em Macau, onde é emissor da pataca, o BNU dispõe de 220 mil clientes, cerca de um terço da população e em 2015 as receitas mais do que duplicaram as registadas em 2012, evolução semelhante à da margem financeira e resultado líquido.

Desde 2009, o BNU oferece serviços em renminbi (RMB), incluindo cartões de crédito, débito e depósitos, centrados nas empresas importadoras e exportadoras com relação estreita com a China, oferta que está disponível em Portugal, Moçambique, Angola, Cabo Verde e Timor-Leste, sublinhou Cardoso.

Também o Banco da China dispõe de um serviço integrado de compensação transfronteiriça de RMB, que inclui ainda depósitos em RMB no estrangeiro, empréstimos e diversos produtos financeiros em moeda chinesa.

A sua agência em Macau, dado o estreitamento das relações entre a China e o mundo de língua portuguesa, pretende assumir um papel importante na internacionalização do RMB, estando presente em Brasil, Angola e Portugal, escritório de apoio às trocas com os países de língua portuguesa que actua em parceria com a Caixa Geral de Depósitos.

Em Novembro de 2015, o FMI aprovou oficialmente a inclusão do RMB no cabaz de divisas (DSE), com um peso de 10,92%, depois do dólar e euro, marco importante no processo de internacionalização da moeda chinesa, que se espera vir a conhecer um novo impulso na sua utilização com a iniciativa “One Belt, One Road”.

A conferência de Lisboa contou com a presença de Anselmo Teng, presidente da Autoridade Monetária de Macau, que sublinhou que a RAEM está a estabelecer uma plataforma de compensação de RMB entre China e Portugal, “podendo ser apoiados os procedimentos de internacionalização” da moeda chinesa e a “prestação de facilidades na compensação das transacções económicas e comerciais em RMB entre China e países de língua portuguesa”.

O potencial de desenvolvimento na utilização transfronteiriça do RMB entre a China e os países de língua portuguesa é muito amplo, dado o actual nível das trocas comerciais, de mais de 98 mil milhões de dólares em 2015, adiantou Teng.

Zheng Yang, director do Shanghai Municipal Financial Services Authority manifestou a intenção de promover novos produtos financeiros e pagamentos internacionais em RMB, “para reforçar o uso transfronteiriço e desenvolver negócios “offshore” naquela moeda, no que poderá ser “um novo factor de crescimento económico de Portugal.”

Outro objectivo, adiantou, é promover a cooperação financeira entre os países de língua portuguesa, podendo as instituições financeiras de Portugal e de Macau aproveitar esta vantagem da língua para aumentar o intercâmbio económico e comercial entre a China e países de língua portuguesa.

“Portugal é o mais importante parceiro de negócios da China na União Europeia, tendo sido como que a primeira estação para as instituições financeiras de Xangai no seu caminho de investimento no exterior”, disse Zheng, apontando o exemplo de grupos chineses que entraram em Portugal nos sectores financeiro (Haitong) ou segurador (Fosun) e deixando o desejo de que no futuro mais instituições financeiras portuguesas se estabeleçam em Xangai. (Macauhub/CN/MO/PT)

MACAUHUB FRENCH