Produção de biocombustíveis começa a ter impacto na economia de Angola

22 November 2010

Macau, China, 22 nov – A produção de biocombustíveis já está a ter impacto no crescimento económico angolano, sendo um dos factores por detrás da actual aceleração, juntamente com a subida da produção petrolífera e maior investimento público, de acordo com a Economist Intelligence Unit.

No seu mais recente relatório sobre Angola, a EIU prevê para este ano um crescimento da economia de 5,9 por cento, uma forte recuperação em relação à contracção de 0,9 por cento que estima tenha ocorrido no ano passado.

“Prevemos uma forte retoma em 2010, apoiada pela subida da produção e preços do petróleo, investimentos públicos robustos e o início da produção dos primeiros projectos de biocombustíveis”, refere a EIU.

No próximo ano, o crescimento económico deverá acelerar, em linha com a subida da produção petrolífera.

O projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL), avaliado em 8 mil milhões de dólares, deverá contribuir para um novo salto do crescimento económico em 2012, para 9,4 por cento.

Nesse ano, as exportações angolanas deverão atingir 60,7 mil milhões de dólares, um terço mais do que o registado em 2009.

“Prevê-se que se mantenham de modo geral estáveis de então em diante, graças ao abrandamento do crescimento da produção [petrolífera] e moderação de preços”, refere o Economist.

A EIU avança mesmo com previsões de crescimento médio para 2013 e 2014, que estima em 7,7 por cento, e sublinha que a expansão económica vai continuar a ser de capital intensivo e dependente de importações, concentrada em actividades como a construção e sector financeiro.

O investimento estrangeiro deverá continuar a ser dominado por capital português, brasileiro e chinês, escreve a EIU.

Segundo a Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP), nos primeiros seis meses as propostas de investimento no sector não-petrolífero ultrapassaram 1,25 mil milhões de dólares, mais do que triplicando face ao mesmo período do ano passado.

Também o banco português BPI divulgou recentemente as suas previsões para o crescimento económico em Angola, mais conservadoras do que as da Economist.

Para este ano, o BPI aponta para uma variação do PIB na ordem dos 5,0 por cento, acelerando para 6,1 por cento e mantendo-se depois próximo dos 5,1 por cento nos dois anos seguintes.

Estas previsões situam-se abaixo dos números do Orçamento de Estado revisto, que aponta para um crescimento de 6,7 por cento em 2010, abaixo dos anteriores 9,7 por cento.

O “desempenho positivo” da economia angolana no primeiro semestre do ano, escreve o BPI, deve-se à “recuperação do sector exportador, fruto do aumento da procura mundial e da subida do preço do petróleo no mercado internacional”, e também a melhores condições no mercado de diamantes, segundo maior produto de exportação.

“Também os sinais provenientes do sector não-petrolífero apontam para um contributo positivo para a formação do PIB este ano. Apesar de uma política fiscal mais restritiva, ao abrigo do acordo com o FMI, o investimento público decorreu a um ritmo elevado nos primeiros meses do ano”, adianta.

O investimento poderia estar até a um nível superior, caso não houvesse acumulação de atrasos de pagamentos por parte do Estado.

Em relatório divulgado na semana passada, também o FMI traça um cenário ascendente da economia angolana, depois da quebra do ano passado.

“A economia angolana está a recuperar gradualmente: (…) as reservas em moeda estrangeira estão a recompor-se o orçamento está em situação de excedente e o nível de pagamentos atrasados foi reduzido desde meados do ano”, refere o relatório da última missão do FMI a Luanda.

A subida dos preços do petróleo e maior contenção de despesas estão por detrás da melhoria das contas públicas, adianta.

Para 2011, o FMI continua a prever uma “retoma sólida do ritmo de crescimento”, à medida que se desanuviam factores temporários como problemas na produção petrolífera. (macauhub)

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