Brasil e África alimentam interesse chinês na Portugal Telecom

18 February 2013

A China Mobile está interessada em expandir-se para o mercado português e brasileiro e a Portugal Telecom deverá ser o alvo de investimento preferido, dadas as suas operações em África e no Brasil, de acordo com analistas de mercado.

Ponderando efectuar investimentos na Alemanha, África do Sul, Brasil, Portugal e Coreia do Norte, a administração da China Mobile iniciou o processo de análise ao ambiente macroeconómico e económico de cinco países a fim de neles efectuar investimentos, segundo o diário chinês em língua inglesa “Morning Whistle” que o Macauhub teve acesso.

A confirmar-se, será a mais recente vaga de investimento chinês a chegar a Portugal, depois de uma sucessão de operações que tornaram grandes empresas chinesas actores importantes na energia (China State Grid Corp e China Three Gorges) ou sector financeiro (Banco da China).

A Portugal Telecom tem uma participação de 25% numa das mais importantes operadoras brasileiras de telefonia fixa e móvel, a Oi.

Em Angola, tem 25% da operadora de comunicações móveis Unitel, 40% da Multitel (fornecimento de acesso à Internet e dados) e ainda o controlo da ELTA, empresa de listas telefónicas de Angola.

Em Moçambique detém a Listas Telefónicas de Moçambique e Teledata (ISP e dados), em Cabo Verde a CV Telecom (40%) e a Directel (60%) e em São Tomé e Príncipe a Companhia Santomense de Telecomunicações (51%).

Está ainda presente na Namíbia, no Quénia e em Timor.

Numa nota de análise emitida na semana passada, os analistas do BPI afirmam que, a confirmar-se o investimento, “a Portugal Telecom seria a candidata mais provável dada a sua presença internacional tanto no Brasil como em África”.

Além da Portugal Telecom, um operador potencialmente interessante seria a Zon, que se encontra em processo de fusão com a Sonaecom, dispondo de uma participação importante na TV por cabo em Angola e contando com a bilionária angolana Isabel dos Santos entre os seus accionistas.

A China Mobile é o maior operador mundial de telefonia móvel em número de clientes e, segundo os analistas da Trefis, a Portugal Telecom, que tem uma valorização de mercado de 5 mil milhões de dólares, deve estar ao alcance da empresa.

“Portugal está a atravessar uma grande recessão e com desemprego recorde, pode não fazer sentido financeiro entrar no mercado nesta fase. Contudo, as valorizações comparativamente baixas podem motivar a China Mobile a pôr o pé na porta num mercado desenvolvido”, referem os analistas.

A Trefis sublinha também que o mercado de comunicações móveis em Portugal é semelhante ao da China, com três grandes operadores: TMN (grupo PT), com 7,3 milhões de clientes, Vodafone Portugal, com 6,6 milhões, e Optimus, com 2,5 milhões.

Em Março de 2012, o presidente da empresa, Wang Jianzhou, disse que a administração pretendia expandir a actividade para outros mercados mas que tal não tinha sido possível devido aos elevados preços pedidos para a aquisição de empresas já instaladas.

As operações de privatização em Portugal, tornadas necessárias pela crise económica e financeira, aceleraram a entrada de empresas chinesas no país.

A China Three Gorges pagou cerca de 2,7 mil milhões de dólares por 21,35% do capital da EDP, tornando-se o maior accionista da eléctrica portuguesa e uma outra grande empresa estatal chinesa, a China State Grid Corp, comprou 25% do capital da Redes Energéticas Nacionais (REN) por 287,15 milhões de euros.

O Banco da China, que concedeu um empréstimo à EDP de 800 milhões de euros, prevê abrir a sua primeira representação em Portugal em Março próximo.

O Banco de Desenvolvimento da China concedeu um empréstimo ao grupo Energias de Portugal (EDP) no valor de mil milhões de euros e voltará a emprestar mil milhões de euros no início de 2014, tal como ficou acordado por altura da privatização. (macauhub)

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